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Covid-19: Pacientes jovens têm derrame cerebral após sintomas leves de coronavírus 04 Maio 2020

A idade média para os doentes de AVC-acidente vascular cerebral severo é de 74 anos, segundo os especialistas. Mas com o surto pandémico de coronavírus há pessoas com idades tão baixas como os trinta anos a sofrer AVSc, por vezes fatais, diz um médico neurocirurgião ao ’Washington Post’.

Covid-19: Pacientes jovens têm derrame cerebral após sintomas leves de coronavírus

O neurocirurgião Thomas Oxley contou ao diário da capital americana que há uma semana foi chamado, no dia de folga, para ir atender uma urgência no Mount Sinai Beth Israel Hospital em Manhattan, porque todos os médicos estavam ocupados.

A urgência era a cirurgia dum caso atípico: um paciente de 44 anos que sofreu um derrame cerebral, após sintomas leves de Covid-19.

O paciente não tinha tomado medicamentos e não tinha um historial prévio de doença crónica. Estava bem de saúde e tinha cumprido a quarentena em casa, como a maior parte das pessoas nos Estados Unidos.

Mas, de repente, começou a ter dificuldades em falar e perdeu os movimentos do lado direito do corpo. Uma tomografia revelou uma obstrução extensa do lado esquerdo da cabeça.

O neurocirurgião contou ter ficado "sem alento" quando viu o diagnóstico de Covid-19, porque este não era o primeiro caso que lhe chegava. Nos últimos dias recebera "vários pacientes com AVC e idades entre 30 e 50 anos, todos infetados com o coronavírus".


"Uma lata de esparguete"

No bloco operatório, conta, viu "algo que nunca antes havia visto". A cirurgia para remover o coágulo deu-lhe a ver, um coágulo num espaço em branco, em vez do cérebro tipicamente visto como um emaranhado de riscos negros —"como uma lata de esparguete", segundo Oxley — que mostra um mapa dos vasos sanguíneos.

O neurocirurgião relatou o seu espanto ao ver que à medida que, munido de um dispositivo em forma de agulha, extraía esse coágulo se formavam novos coágulos simultâneos ao redor desse primeiro.

"Isto é uma loucura", recorda ter dito ao seu chefe.

AVCs aumentam entre infetados

O aumento de AVCs, ou acidentes cerebrovasculares, em doentes jovens ou de meia-idade — em muitos outros hospitais em comunidades flageladas pelo novel coronavírus — são o desenvolvimento mais recente na evolução da Covid-19. O número de afetados é notável sobretudo por ser um desafio médico e não pela quantidade.

O desafio é imenso, dizem os especialistas, porque no momento em que o vírus já infetou mais de 3,5 milhões de pessoas e matou 246 mil em todo o mundo, os cientistas ainda não conseguiram decifrar os mecanismos biológicos do invisível coronavírus.

Até há pouco pensava-se que atacava principalmente os pulmões e foi classificado como mais um patógeno — organismo capaz de produzir doenças infecciosas aos seus hospedeiros sempre que esteja em circunstâncias favoráveis. Mas com o passar dos meses, o vírus mostra ser um inimigo muitíssimo mais terrível que afeta quase todos os principais sistemas de órgãos do corpo.

Fontes: Washington Post. Foto (EFE/EPA): Paciente jovem que sofreu derrame cerebral, após sintomas leves de Covid-19, é atendido à entrada do hospital La Mesa, Califórnia, 22 de abril. Foto inserta dum quirófano, a designação científica do bloco operatório.

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