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Covid-19: Presidentes das câmaras da Praia e da Ribeira Grande perspectivam “impacto negativo” com prorrogação em Santiago 14 Maio 2020

Os presidentes das câmaras da Praia e da Ribeira Grande (Santiago) perspectivam que a terceira prorrogação do estado de emergência terá “impacto económico negativo”, mas enaltecem a margem de manobras para a retoma da construção civil.

Covid-19: Presidentes das câmaras da Praia e da Ribeira Grande perspectivam “impacto negativo” com prorrogação em Santiago

Contactados pela Inforpress, Óscar Santos e Manuel de Pina, respectivamente, reconhecem que a evolução epidemiológica na ilha de Santiago, concretamente no município da Praia, inspira cuidados acrescidos.

Assim, dizem entender as argumentações do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, para salvaguardar a saúde pública, mas alertam para a necessidade de se passar a conviver com o vírus, de forma a retomar gradualmente a economia.

Óscar Santos, por exemplo, mostra-se apreensivo com mais este alargamento do estado de emergência, alegando que a ilha de Santiago já se caminha para 60 dias, “um dos mais longos do mundo”, quando a ilha de Santiago depende e muito da Cidade da Praia, “grande produtora da riqueza nacional” e que tem “muita circulação de pessoas em negócios”.

“Com mais esta prorrogação o impacto é evidente na actividade económica e social, porque em toda a actividade económica de bens não essenciais que emprega muita gente está completamente fechada. Mesmo as câmaras municipais têm despesas claras, sobretudo com a limpeza da Cidade, mas não estão a ter receitas”, explicitou o presidente da Câmara Municipal da Praia.

Ainda assim disse que a municipalidade aumentou o volume de despesas com políticas acrescidas no combate à pandemia, como aquisição de equipamentos específicos para limpeza da cidade, apoio aos ministérios da Família e da Saúde e distribuição de cestas básicas e máscaras comunitárias, de entre “muitos serviços prestados” pelos bombeiros municipais.

Óscar Santos ressaltou, porém, a flexibilidade desta nova prorrogação que permite a retoma das obras de construção civil e disse que agora resta aguardar pelas orientações do Governo para que a autarquia possa agir em conformidade, alertando, entretanto, para o “impacto” que será “financeiramente maior em todas as câmaras de Santiago com mais esta prorrogação”.

Explicou que se tinha posicionado contra uma das prorrogações, no sentido de ar “algum fôlego” às actividades económicas, mas afiançou que a população cabo-verdiana “tem de aprender a conviver com o vírus”, assim como em outras partes, até que apareça uma vacina, quando já se prognostica “uma dura recessão económica” em 2020, no País.

Disse ter compreendido as alegações do chefe de Estado para tomar “uma das decisões mais difíceis”, mas realçou que nenhum País aguenta estar permanentemente a viver em estado emergência, pelo que espera que a partir do dia 29 do corrente mês a ilha de Santiago consiga sair desta situação de confinamento.

Nesta lógica, avançou ser indispensável salvaguardar a saúde pública, mas que sem economia não se consegue salvar vidas, considerando “de bom-tom” o Governo começar já a pensar em outras medidas como o estado de calamidade, que dá mais alternativa ao desenvolvimento, ainda que com limitações, de modo a que “as pessoas possam respirar”.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, Manuel de Pina, disse que já era esperado mais esta prorrogação, tendo em conta a evolução da pandemia, baseada na taxa de contágio, sobretudo nos últimos dois dias na Cidade da Praia, mas advertiu que com esta lógica Santiago poderá passar por um novo alargamento, o quarto, por entender que o vírus já está a espalhar-se nas comunidades.

Manuel de Pina disse que os contactos se multiplicam quando, a seu ver, vê situações propícias para a propagação do vírus da covid-19, face a “um conjunto de procedimentos anormais”, como erros no uso das máscaras, propícios para a contaminação, tendo ainda denunciado “aglomeração de pessoas nas segundas ruas sem qualquer preocupação”.

Considerou ser importante “estancar esta propagação” com identificação de contactos directos “verdadeiramente confinados”, baseada “numa fiscalização, acompanhamento e uma boa assistência para que as possam estar em casa”, razão pela qual entende ser a única forma de se justificar estas prorrogações.

“Não podemos continuar a repetir as prorrogações do estado de emergência sistematicamente. Temos de estancar a propagação para que nos próximos 15 dias a situação esteja controlada como na Boa Vista”, advertiu Manuel de Pina, que, entretanto, regozija-se com a flexibilidade na retoma dos trabalhos da construção civil.

O autarca ribeira-grandense disse que a sua equipa já está o terreno a intensificar a distribuição de uma nova leva de cestas básicas, não só no município, mas também aos munícipes residentes em outros concelhos e mesmo na ilha da Boa Vista, afirmando que tem havido “muita solidariedade” neste capítulo.

O Presidente da República prorrogou quarta-feira, 13, o estado de emergência por mais duas semanas na ilha de Santiago, a vigorar das 00:00 do dia 15 até às 24:00 de 29 de Maio.

“Na sequência de consultas a diversas entidades técnicas, políticas e da sociedade civil, e ouvido o Governo, nos termos constitucionais, considerei necessário prorrogar o estado de emergência para a ilha de Santiago, no período compreendido entre as 00:00 do dia 15 de Maio de 2020 às 24:00 do dia 29 de Maio do corrente”, comunicou Jorge Carlos Fonseca, na noite desta quarta-feira, a partir do Palácio Presidencial, no Platô.

O concelho da Praia registou nas últimas 24 horas mais 26 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus, elevando-se para 315 o total de infectados no País, desde o início da pandemia. A Semana com Inforpress.

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