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Covid-19: Testes, desconfinamento, mobilidade e desobediência aumentam casos em Cabo Verde 23 Junho 2020

O aumento da capacidade de testes, o desconfinamento, maior mobilidade das pessoas e a desobediência às normas são os principais fatores apontados pelas autoridades de saúde para o aumento do número de casos de covid-19 em Cabo Verde.

Covid-19: Testes, desconfinamento, mobilidade e desobediência aumentam casos em Cabo Verde

Os fatores foram apontados hoje pelo diretor nacional de Saúde, Artur Correia, em conferência de imprensa, na Praia, para fazer o ponto de situação da pandemia do novo coronavírus no país, no dia em que Cabo Verde registou 54 novos casos, maior número diário desde o primeiro no país, em 19 de março, elevando o total nacional para 944.

Na análise, Artur Correia disse que o aumento de casos no país começou com o fim do estado de emergência, diferenciado por ilhas, de 29 de março a 29 de maio, e início do desconfinamento, em 01 de junho.

No dia 01 de junho, Cabo Verde tinha 458 casos acumulados de covid-19 e 21 dias depois esse número é mais do dobro, com um total de 944 em seis das nove ilhas habitadas.

“Depois de quase dois meses de estabilização, a partir de 01 de junho temos um aumento para 180 casos, na semana seguinte para 189 e na semana que terminou ontem [domingo] para 109, e vamos continuar nesta teimosia de não deixar que o pico avance mais do que está neste momento”, afirmou o porta-voz do Ministério da Saúde.

Para esses quase 500 casos em menos de um mês, o diretor nacional de Saúde começou por justificar com o aumento de testes, tendo o país realizado até agora mais de oito mil testes de virologia e cerca de 27 mil testes rápidos para deteção de anticorpos.

No que diz respeito aos testes de virologia (PCR), Artur Correia sublinhou que se nas primeiras semanas da pandemia o país realizava cerca de 900, nas duas últimas as autoridades fizeram cerca de 1.400 por semana em todo o país.

Artur Correia justificou ainda os números com o desconfinamento, que permitiu mais mobilidade às pessoas, assim como a consequente desobediência às normas instituídas pelas autoridades sanitárias.

Segundo o diretor, há quase dois meses, durante o período de confinamento, existia “uma estabilização de casos, com um mínimo de 44 e máximo de 84”, tendência que Artur Correia classificou como estacionária, “mas a partir de 01 de junho começou a haver esses picos”.

O diretor nacional de Saúde referiu que os picos têm a ver com os dois novos focos de transmissão ativa, na ilha do Sal e no concelho de Santa Cruz, em Santiago, que juntos somam mais de 220 casos, registados praticamente todos em junho.

“Esses dois é que contribuíram para desequilibrar a evolução normal, uma vez que na Praia [ilha de Santiago] tem havido uma certa estabilização”, disse o responsável de saúde, que prevê um aumento de casos nos próximos dois dias no país, numa média de 15 por dia.

Com o retomar das ligações aéreas e marítimas de passageiros de Santiago para outras ilhas, prevista para o final deste mês, o diretor disse que não será surpresa o aparecimento de novos casos.

“O país não pode ficar fechado, as ilhas não podem ficar sem comunicação, tem de haver mobilidade de pessoas, trocas comerciais, a economia do país tem de funcionar”, declarou, defendendo que Cabo Verde não pode “ficar eternamente” com “cada ilha fechada em si própria, porque é impossível e o país não aguenta”.

Na conferência de imprensa, o diretor nacional de Saúde abordou ainda a questão da discriminação sofrida por muitas pessoas que foram infetadas bem como pelos seus familiares, frisando que “não faz sentido nenhum” já que as pessoas estão recuperadas e com testes negativos.

“A covid-19 não olha a quem para infetar, qualquer um de nós pode estar suscetível de ser infetado”, salientou o porta-voz da tutela da Saúde em Cabo Verde, para quem sem o cumprimento das normas de proteção qualquer pessoa pode ser infetada pelo novo coronavírus.

Do total de casos de covid-19 no país desde 19 de março, há a registar oito mortos e dois doentes foram transferidos para os seus países.

Até agora, 440 doentes já foram considerados recuperados, representando 47% do total, permanecendo 494 com infeção, segundo o diretor nacional de Saúde.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 469 mil mortos e infetou quase nove milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. A Semana com Lusa

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