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Covid-19 no Reino Unido: Utente de comboio cuspiu em funcionária, que dias depois morre de coronavírus 15 Maio 2020

Belly Mujinga, funcionária da companhia ferroviária ’Southern Railway’, morreu duas semanas após um passageiro a ter cuspido e à colega de bilheteira na ’Victoria Station’. Essa cuspidela, segundo afirmou o inesperado agressor, era para lhes ’pegar’ o vírus. A polícia britânica dos transportes já avançou na investigação dessa morte ’trágica’, como a classificou esta quarta-feira, 13, o primeiro-ministro que disse: "Indigna-me saber que ela foi agredida por estar a fazer o seu trabalho".

Covid-19 no Reino Unido: Utente de comboio cuspiu em funcionária,  que dias depois  morre de coronavírus

A vítima Belly Mujinga, de 47 anos, casada e mãe de uma menina de onze anos, morreu de coronavírus no dia 5 de abril, 14 dias depois de ter sido alvo da agressão por um utente na principal estação ferroviária de Londres (foto).

Hospitalizada depois de alguns dias a apresentar sintomas respiratórios, a mulher de origem nigeriana acabou por falecer três dias depois de ser levada de ambulância. Foi a última vez que a família a viu.

A polícia dos transportes — que só começou a investigar mais de um mês depois dos factos — anunciou esta semana que a investigação começou pela recolha de imagens do circuito interno de televisão da ’Vitoria Station’.

Chefia criticada

O sindicato dos trabalhadores ferroviários aponta o dedo à direção da GTR-Govia Thameslink Railway, filial da Southern Railway, que nada fez" quando a Belly Mujinga reportou a ocorrência. "Disseram-lhe para voltar ao seu lugar", acusa o sindicato TSSA.

"Só um mês depois do ocorrido e semanas após a morte dela, é que a GTR está a dizer que levou o caso a sério", disse o porta-voz do sindicato, Manuel Conde.

Os colegas da Belly, que a descrevem como "trabalhadora simpática e dedicada", fizeram uma "vaquinha" e ofereceram a coleta de onze mil libras à filha órfã.

Dizem-se indignados os que falaram à imprensa sob anonimato para dizer que "o que lhe aconteceu podia ter acontecido a qualquer um de nós", acrescentando que a empresa só esta semana lhes deu material de proteção.

Sobre as condições de trabalho em plena epidemia de coronavírus, a funcionária Linda Freitas, que está na mesma estação há 13 anos, disse: "As pessoas nem imaginam as agressões verbais de que somos vítimas. Há dias em que as pessoas podem ser extremamente agressivas". Ela disse que está "com muito medo, agora", com o regresso desde ontem do confinamento, "sem saber até onde podem ir".

Reino Unido é país europeu com mais óbitos

É agora o segundo país com mais mortes. Depois dos Estados Unidos com 86 mil óbitos, o Reino Unido regista hoje (5ªfª, 14) 33.614 mortes, mais do que a Itália, com 31.368, a Espanha, com 27.321, a França, com 27.074.

Fontes: AFP/BBC/The Independent. Fotos (AFP): ’London Victoria Station’ onde um utente cuspiu em duas funcionárias, que depois adoeceram de coronavírus segundo o ’The Independent’.

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