OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Covid-19 e as preocupações sobre a vacina da Oxford/AstraZeneca 17 Mar�o 2021

A Maioria Governamental deve ser a primeira a dar o exemplo, abandonando esse discurso raso de chamar de "contra as vacinas" os cidadãos e a Oposição pelas suas posições críticas. Procedendo assim, o Governo está a revelar vontade de calar vozes discordantes e isso é apanágio de regimes autoritários. Que venham vacinas com a máxima segurança possível quanto a efeitos colaterais letais, que estejamos organizados e com estratégia adequada para delas tirarmos todos os benefícios e que o nosso povo atinja assim a imunidade de grupo o mais cedo possível!

Por: Mário Matos*

Covid-19 e as preocupações sobre a vacina da Oxford/AstraZeneca

1. Até ontem, 15 do corrente, cerca de 17 milhões de cidadãos europeus tinham sido inoculados com a vacina da Oxford/AstraZeneca.

2. Variando segundo as fontes noticiosas, os casos mortais pós inoculação com a referida vacina, situam-se entre 30 a 40 ocorrências.

3. A agência europeia reguladora de medicamrntos, EMA, anunciará a sua decisão sobre a segurança da vacina nesta quinta-feira, estando em curso estudos para tal. Entretanto, afirmou hoje, a inexistência da relação causa/efeito entre a inoculação e os óbitos por hemocoagulação grave.

4. A OMS tem.a mesma posição, mas aceita naturalmente o recurso ao princípio de precaução, que vários paises têm adoptado face à vacina, até a realização de estudos mais conclusivos.

5. Não há vacina 100% segura, como alguns cabo-verdianos estão a exigir aqui no Facebook. Não há nenhum medicamento sem efeitos colaterais. As plantas medicinais que tradicionalmente chamamos de "chás", e que usamos regularmente, têm efeitos colaterais, alguns graves para o figado, os rins como órgãos excretor, e o sistema imunitário. Os nossos avós sabiam-no.

6. Quando as primeiras vacinas chegaram a Cabo Verde, o alerta sobre prováveis efeitos colaterais letais da vacina da Oxford/AstraZeneca já tinha sido dado e vários países tinham suspendido a sua administração, aguardando estudos mais aprofundados.

7. O Governo e as autoridades sanitárias, tiveram tempo, pois, de preparar, com antecedência razoável à chegada do primeiro lote de vacinas, uma comunicação pertinente e assertiva, que reduzisse a propensão natural para alarme social e, pior, o aumento do negacioismo em relação às vacinas em geral.

8. Mais, ainda, uma simples consulta ao Facebook revela que, desde que se começou a tornar claro que num relativo curto periodo de tempo, o Mundo começaria a ter as primeiras vacinas anti Covid-19, que as redes sociais foram inundadas de fake news, teorias de conspiração e atitudes negacionistas face a vacinas, algo recorrente porque há dezenas de anos que há uma corrente anti vacinas.

9. O contexto de campanha eleitoral antecipada, explica que os políticos tenham-se chegado à frente, no dia de recepção das primeiras vacinas. O PM, Ulisses Correia Silva, adiantou-se em declarações quanto à segurança da vacina AstraZeneca.

10. Inverteu-se a comunicação. A entrevista serena e esclarecedora do DNS à TCV, num registo de controlo de danos quanto à desconfiança já instalada, devia ter sido feita antes da chegada das vacinas. Melhor ainda se a TCV tivesse promovido um painel com o DNS e outros especialistas, para situar o problema, naturalizar aa dúvidas e adiantar informações e esclarecimentos que contribuissem para transmitir confiança e serenidade aos cabo-verdianos. A comunicação, que tem sido um ponto fraco do combate à pandemia, desta vez falhou pela sede excessiva para se beber do pote dos votos...

11. Aguardemos por resultados mais conclusivos de entidades cientificas de países com recursos humanos e outros para tal, nomeadamente da agência europeia EMA.

12. Legítimas as nossas apreensões, juntando-se às de milhões de seres humanos espalhados pelo Planeta. Mas, evitemos lançar mais achas à fogueira do negacionismo. A recusa de vacinação pode pôr em causa os objetivos que, julgo, todos os cabo-verdianos almejam: salvaguarda de vidas humanas e do sofrimento causado pela Covid-19; retoma económica, com desafogo sobretudo para as camadas pobres e muito pobres, e para a retoma do turismo, pela sua contribuição para o PIB; normalização dos afectos familiares e de amigos e do convívio social em geral.

13. A Maioria Governamental deve ser a primeira a dar o exemplo, abandonando esse discurso raso de chamar de "contra as vacinas" os cidadãos e a Oposição pelas suas posições críticas. Procedendo assim, o Governo está a revelar vontade de calar vozes discordantes e isso é apanágio de regimes autoritários.

Que venham vacinas com a máxima segurança possível quanto a efeitos colaterais letais, que estejamos organizados e com estratégia adequada para delas tirarmos todos os benefícios e que o nosso povo atinja assim a imunidade de grupo o mais cedo possível!

* Puiblicado na sua página de facebook

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project