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Covid-19 na Índia: Médico que alertou sobre falhas de máscaras e proteção internado em manicómio — "Ele não é doente mental", diz a mãe 20 Junho 2020

A BBC na Índia acompanha o caso do médico Sudhakar Rao, anestesista com 20 anos de experiência, que esteve nos noticiários em abril e voltou em junho. Primeiro foi por ter alertado para a falta de equipamento de proteção nos hospitais da Índia. Agora, após ser detido, alegadamente espancado pela polícia e internado como doente mental, é o comissário que se queixa dele por assédio moral.

Covid-19 na Índia: Médico que alertou sobre falhas de máscaras e proteção internado em manicómio —

O médico detido pela polícia e internado como doente mental, ao ter alta, passou a ir ao comissariado da cidade para conferências de imprensa, queixa-se o responsável da unidade policial.

"O caso está entregue ao Centro de Investigação do Estado" de Andhra Pradesh, explica o comissário de Vizag. "Mas o dr. Rao insiste em vir cá, só pela provocação".

Um grande número de vídeos online mostram o "embate", no dia 16 de maio, entre o médico e agentes da polícia numa autoestrada da cidade de Visakhapatnam, onde o Dr Rao reside e trabalha. As autoridades confirmam que foi internado num hospital para doentes mentais.

O médico é visto a receber bastonadas enquanto está deitado no piso alcatroado com as mãos atrás das costas. Outra imagem mostra-o sem camisa dentro do carro da polícia.

Mas antes de ser levado, o Dr Rao pôde falar aos jornalistas. Contou que a polícia o mandou parar e sair do carro. "Tiraram-me o telemóvel e a carteira. Bateram-me".

Suspensão

O médico foi suspenso depois de ter falado aos jornalistas em 3 de abril. Nessa primeira conferência de imprensa, referiu ter acabado de ser expulso de uma reunião — no hospital público onde trabalha — onde se queixara da falta de equipamento de proteção.

"Disseram-nos para usar a mesma máscara durante 15 dias. Só depois disso, temos o direito de pedir uma nova. Como é que podemos tratar os doentes a arriscar a nossa vida?", ouve-se no vídeo You Tube que viralizou.

As autoridades da Saúde ordenaram um inquérito. Mas antes suspenderam o médico que, "em vez de apresentar uma queixa formal, prejudicou o moral dos outros profissionais da Saúde".

Pedido de desculpa

Dias depois, o médico colocou no You Tube um vídeo com uma mensagem às autoridades da Saúde, a pedir desculpa e o fim da suspensão. Não obteve resposta.

Entretanto, Rao queixa-se de ameaças que tem recebido desde a primeira vez que falou à imprensa. "As pessoas telefonam-me para me ameaçar".

A mãe, Kaveri Rao, disse à BBC que o filho nunca teve qualquer problema de saúde mental. "Ele é um médico muito bem considerado. Mas tem sido maltratado desde aquela entrevista. Eu estou a sofrer muito e as pessoas telefonam-me a fazer perguntas sobre ele. Têm sido muito stressantes para nós, estas últimas semanas".

Fontes: BBC/India Times. Fotos: O comissário de Vizag. O dr Rao a ser detido. Solto, o médico passou a fazer conferências de imprensa diante do comissariado.

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