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Covid-19 "não veio dum laboratório": Peritos OMS, 1 mês em Wuhan "com muita informação e poucas certezas sobre o caminho tortuoso" do vírus 11 Fevereiro 2021

"Não veio dum laboratório" é a única afirmação firme, pelo que o suspense vai continuar enquanto continuam por resolver os mistérios sobre qual o animal, o momento e o local da transmissão do coronavírus que pôs o mundo em suspensão há treze meses. Durante três semanas, os peritos da equipa internacional procuraram na China "compreender onde começou o vírus, a sua origem e evolução" disse o chefe da missão hoje em conferência de imprensa. Mas, admite, que recolheu "muita informação" sem ter ainda conseguido tirar uma conclusão final sobre quais "os percursos tortuosos do vírus" surgido em Wuhan em final de 2019.

Covid-19

"O percurso possível seguido pelo animal original, seja ele de que espécie for, até chegar ao mercado de Huanan (em Wuhan) pode ser muito tortuoso, muito longo, incluir movimentos entre regiões e mesmo ultrapassar fronteiras entre países", disse o líder da missão da OMS à China.

A apresentação de resultados tão aguardada durou três horas e meia, na conferência (foto) desta terça-feira, 9, em Pequim. O representante chinês esteve ao lado do principal apresentador, Peter Ben Embarek — veterinário e doutorado em Segurança Alimentar e Zoonoses, que lidera a missão internacional de cientistas peritos em virologia, epidemiologia entre outras, vindos dos Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Japão, Reino Unido, Rússia, Países-Baixos, Qatar e Vietname.

"Tentámos compreender o que se passou antes de dezembro de 2019 e para isso empreendemos uma busca muito detalhada e profunda sobre eventuais casos surgidos antes", disse Embarek, líder da missão. Mas "só pudemos chegar à conclusão de que é impossível ter havido um surto antes de dezembro de 2019, seja em Wuhan seja em qualquer outra localização aquém ou além China".

As duas questões seguintes, em síntese da conferência e em forma de pergunta-resposta, permitem compreender o desafio que ainda continua. Vejamos:

Morcegos? Mas não em Wuhan

Segundo Embarek, uma das hipóteses de trabalho foi sobre a origem em morcegos. Mas afirmouou que "foi impossível identificar um reservatório natural da espécie em Wuhan".

O chefe da missão, que está na OMS desde dezembro de 2019, descartou desde o início —com um " não merece atenção" — a tese do "vírus chinês" fabricado em laboratório. Voltou a afirmar "Este vírus não foi fabricado num laboratório".


Antes de dezembro’19?

As análises de sangue realizadas em várias localizações na China nada indicam sobre uma possível data (muito) anterior a dezembro de 2019, segundo o líder da missão da OMS.

Secundou-o o chefe da missão de peritos chineses, Liang Wannian: "Há algumas provas que sugerem que as infeções podem ter começado umas três ou mais semanas antes do primeiro caso identificado. Por isso não podemos descartar a sua circulação em outras regiões, sem qualquer notificação".

Fontes: AP/Xinhua/BBC. Relacionado: OMS chega a Wuhan — China confina 500 mil em Pequim, 15.jan.021. Foto: Três semanas de estudo decorridas, a ’Equipa Internacional do Estudo sobre Wuhan’ dá a primeira conferência. A comunidade científica, conclui-se, ainda tem muito trabalho pela frente até conseguir deslindar entre as diversas teses a que responde q.b. sobre a origem do vírus que já infetou mais de 107 milhões de pessoas e matou até este momento 2.351.950 pessoas.

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