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Covid-19 no Brasil: Em São Paulo controlo por moradores de favela tem sucesso, com taxas até 250% mais baixas 27 Junho 2020

A favela de Paraisópolis, na cidade de São Paulo, tem presidentes de rua, contrato com ambulâncias e serviços de pessoal da Saúde, instalação de bases de emergência com 240 moradores treinados como socorristas para colaborar com os bombeiros civis. Por isso, Paraisópolis tem melhor controlo sobre a pandemia de Covid-19 do que outros bairros da capital paulista: a taxa de mortalidade pelo novo coronavírus no bairro favelado é de 217 pessoas por milhão de habitantes, enquanto a média municipal é de 562.

Covid-19 no Brasil: Em São Paulo controlo por moradores de favela tem sucesso, com taxas até 250% mais baixas

A constatação está no estudo do Instituto Pólis, que se apresenta como "organização da sociedade civil que realiza pesquisas no Brasil e no exterior". O respetivo relatório foi publicado esta quarta-feira, 24.

"Desde a confirmação dos primeiros casos em São Paulo, logo em março, a associação de moradores de Paraisópolis desenvolveu estratégias para suprir a falta de políticas públicas para a comunidade", lê-se no relatório publicado no website do Pólis sobre a proatividade dos moradores da maior favela da capital paulista, com mais de doze milhões de habitantes.

Logo no início da pandemia, há quatro meses, os moradores da favela criaram o sistema de "presidentes de rua", em que uma pessoa de cada rua foi designada para monitorar e ajudar as outras. Cada presidente deve orientar sobre os sintomas da doença, distribuir cestas básicas e até combater a desinformação (disseminação de fake news).

Segundo o relatório, a comissão de moradores de Paraisópolis — entre 80 mil e 100 mil habitantes em 20 mil agregados, com a densidade demográfica de mais de 60 mil hab/km² — contratou ambulâncias para atender os sintomáticos e fez "contratos com médicos e enfermeiros "para atender a favela 24 horas".

Outros 240 moradores foram treinados como socorristas para apoiar as 60 bases de emergência criadas com a presença de bombeiros civis.

A associação de moradores pediu ao governo estadual para utilizar duas escolas públicas como centro de isolamento de pessoas infectadas. A medida possibilitou que os sintomáticos se isolassem de forma eficaz para evitar a disseminação.

Outras 611 favelas, outra realidade

Exceção é mesmo Paraisópolis. As demais seiscentas e onze favelas a que se acresce centenas de bairros mais pobres da capital paulista — como "Brasilândia, Sapopemba, Grajaú, Capão Redondo e Jardim Ângela" —, semelhantes em precariedade urbana, são as mais castigadas pela Covid-19.

A regra básica de distanciamento social é impossível aos moradores de favelas e bairros mais pobres por diversas razões. As principais: a alta densidade demográfica; a natureza do trabalho, mal pago e sem segurança social, que não lhes permite ficar em casa; a precariedade do saneamento básico; e o fraco acesso aos serviços de saúde.
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Fonte referida/Site do Estado de São Paulo/Worldometers. Fotos (Wikipedia): O marcador da desigualdade é o condomínio Paço dos Reis colado ao Paraisópolis.

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