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Covid-19 no Brasil: Traficante escreveu à mãe para não ser velado nas favelas onde comandava tráfico 11 Maio 2020

Em plena pandemia de coronavírus, o traficante Paulo Rogério de Souza Paz, o Mica, expressara receio de vir a morrer na prisão por falta de tratamento, uma preocupação constante que o fez escrever à mãe, sobre os seus últimos desejos. O criminoso foi encontrado morto na cela, alegadamente por suicídio. Mas a família quer uma investigação.

Covid-19 no Brasil: Traficante escreveu à mãe para não ser velado nas favelas onde comandava tráfico

Na carta à mãe, Mica relatou sobre os problemas de saúde que enfrentava na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde estava preso desde 2012 e de onde esperava ser transferido para uma prisão no Rio de Janeiro.

Nessa carta, Mica dizia ter medo de morrer. Queixava-se da falta de tratamento de saúde adequado e, por isso, temia não resistir à doença.

Entre os pedidos que fez à mãe, está o de não ser velado no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, onde estão localizadas as favelas de que Mica era apontado como chefe do tráfico, sitas no Complexo da Penha.


Prisão em Maricá evoca o caso Duarte Lima

Em 2012, Mica tinha oito mandados de prisão em aberto. Era um dos criminosos mais procurados do Rio, acusado de comandar as favelas do complexo da Penha.

Em fevereiro de 2012 foi capturado pela Polícia Civil, na Região Metropolitana do Rio, mais precisamente em Maricá — que ficou conhecida desde o homicídio de Rosalina Ribeiro em que é suspeito o ex-líder do PSD, Duarte Ribeiro (Portugal-Brasil: Ex-líder do PSD Duarte Lima será julgado em Lisboa pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, 16.out.019).

O traficante tinha em época de Carnaval arrendado, por oito mil reais, uma casa com vista para o mar alugada por R$ 8 mil. Na época, Mica tinha oito mandados de prisão em aberto. Ele era um dos criminosos mais procurados do Rio.

Desejos derradeiros incumpridos

O velório acabou por realizar-se, contra as indicações do traficante, no Complexo da Penha. Foi dali que partiu o cortejo, que incluiu um grupo de motoqueiros, saiu do complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Uma multidão compacta atrás do carro funerário percorreu, muitos a pé, os mais de cinco quilómetros até o cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul da cidade

Fotos: O cortejo, com grupo de motoqueiros, saiu do complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Contra as recomendações do estado de emergência, a multidão compactou-se atrás do carro funerário. LS

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