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Covid-19 no ’Diamond Princess’: 1 infetou 703 — Conclui estudo 6 meses depois 03 Agosto 2020

Uma única fonte do novo coronavírus no cruzeiro Diamond Princess foi responsável por 697 infeções e sete (das treze) mortes que ocorreram no navio japonês, segundo um estudo publicado na revista da Academia das Ciências dos Estados Unidos.

Covid-19 no ’Diamond Princess’: 1 infetou 703 — Conclui estudo 6 meses depois

Segundo o estudo — realizado por investigadores japoneses e divulgado nesta semana em que o mundo regista 18 milhões de infeções e perto de setecentas mil mortes —, o vírus foi introduzido no barco por uma única pessoa ou por um grupo muito restrito, como uma família.

As conclusões dos investigadores japoneses baseiam-se na análise genética exaustiva do novo coronavírus presente nas amostras nasais de 73 passageiros infetados.

A disseminação do vírus, prévia à quarentena, fez-se através de grandes grupos de passageiros reunidos nos jantares e bailes. Mas também se espalhou através de contactos pessoais entre companheiros de camarote, antes e depois do isolamento no porto japonês de Yokohama.

A bordo do navio teve origem um dos primeiros surtos massivos do novo coronavírus, ainda antes da declaração oficial da pandemia, o que só aconteceu a 11 de março.

A sequência dos acontecimentos no barco é esta: um passageiro de 80 anos começou a ter tosse a partir de 23 de janeiro e desembarcou dois dias depois em Hong Kong, onde lhe foi diagnosticada a Covid-19, a 1 de fevereiro. Dois dias depois, o navio entrava em quarentena. Desde 3 até 19 de fevereiro— dia em que começaram os desembarques —, as três mil e seiscentas pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, viveram uma experiência terrível de confinamento.

Os passageiros estavam 24 horas confinados nos seus camarotes, sem saber o que se ia seguir numa altura em que a informação sobre o novo vírus era muito escassa.

Estudo japonês: paciente zero desconhecido

Os autores do estudo conseguiram traçar a sequência completa de DNA do vírus que infetou os 73 passageiros que participaram na investigação e cujas amostras nasais foram recolhidas entre 15 e 17 de fevereiro.

Uma das principais conclusões é que todas as amostras partilham a mesma mutação, isto é, todos os vírus a bordo têm origem numa única fonte.

Além disso, os cientistas concluíram que o vírus é praticamente idêntico ao de Wuhan, o que sugere uma transmitissão por quem esteve na cidade onde começou tudo.

Em teoria, é possível que outros passageiros tenham introduzido outros vírus, já que o estudo se debruça apenas sobre 10% dos infetados. No entanto, essa possibilidade é dada como "muito improvável, uma vez que a mesma mutação está presente em 100% das amostras sequenciadas", explica o catedrático de genética da Universidade de Barcelona, citado pelo El Periódico.

Desde que foi introduzido no barco — acredita-se que por alguém assintomático e não o octogenário que desembarcou em Hong Kong (ver infra, cronologia —, o SARS-coV-2 propagou-se por grupos. Dos participantes no estudo, 29 partilhavam um vírus idêntico ao inicial, enquanto outros cinco apresentavam um vírus com mais uma mutação e outras seis pessoas um vírus com duas mutações.

Segundo o estudo, essas mutações ocorrem a um determinado ritmo e permitem identificar a evolução temporal do vírus. Os grupos de contágio não correspondem a uma determinada área do Diamond Princess, o que também significa que um meio de transmissão frequente foi, por exemplo, a partilha de mesas para as refeições, nos sucessivos eventos que eram organizados a bordo.

Cronologia da transmissão do SARS-CoV-2 no Diamond Princess

23 de janeiro: um passageiro de 80 anos começou a ter tosse e dois dias depois desembarcou em Hong Kong. A 30 teve febre e foi-lhe aplicado o teste. Foi-lhe diagnosticada a Covid-19 a 1 de fevereiro.

1 de fevereiro: O navio escala o porto de Naha em Okinawa. A companhia recebeu a informação das autoridades sanitárias de Hong Kong, mas só dois dias depois o navio viria a entrar em quarantena.

1-3 fevereiro: A vida festiva no cruzeiro continua como dantes. Espetáculos habituais, bailes, restaurantes, bares, salas de fitness abertos.

3 fevereiro: à noite, o navio regressou ao Yokohama e lançou âncora ao largo sem atracar. O governo japonês decidiu que o navio devia permanecer em quarantena, dada a suspeita de que poderia haver alguém infetado a bordo.

Funcionários dos Ministérios da Saúde, do Trabalho e dos Serviços Sociais são destacados para permanecer no navio em quarantena.

4 fevereiro: os testes revelaram que estão infetadas 10 em 31 pessoas testadas. O Ministérios da Saúde decide isolar de imediato todos os passageiros a bordo durante catorze dias.

5 fevereiro: os 3.700 passageiros e tripulação são informados de que entraram em isolamento sanitário, de acordo com as indicações da OMS.

7 fevereiro: o número total de infetados com o SARS-CoV-2 é de 61 pessoas. Ns dois dia seguintes, o total sobe sucessivamente para 64 e 70 casos.

10 fevereiro: com mais 65 casos, o total atinge 135. A equipa médica a bordo está sobrecarregada. A decisão é de levar para o hospital os casos mais graves.

11 fevereiro: com mais 39 casos, incluindo um tripulante, o total atinge 174. Os casos mais graves são levados para terra.

13 fevereiro: com mais 44 casos positivos, o total de pessoas infetadas é de 218.

15 e 16 fevereiro: sucessivamente mais 67 e 70 pessoas infetadas, o total chega a 285 e 355.

17 fevereiro: com mais 99 casos o total atinge 454, 33 dos quais são tripulantes.
Na mesma manhã, duas aeronaves dos Estados Unidos retiraram 328 dos seus cidadãos levando-os para duas bases: a Travis Air Force Base na Califórnia e a Joint Base San Antonio no Texas.
O total de norte-americanos a bordo do Diamond Princess era inicialmente de 400 passageiros. No momento do resgate, 44 estavam hospitalizados e cerca de três dezenas preferiram continuar a bordo.

18 fevereiro: com mais 88 casos, o total de infetaods a bordo do Diamond Princess chega a 542.

No mesmo dia, Michael J. Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergência Sanitária da OMS, contrariou a decisão dos Estados Unidos. As indicações da OMS — tal como das autoridades japonesas, como lembrou Ryan — eram para que os passageiros permanecessem a bordo durante duas semanas, a fim de evitar propagar o vírus.
Também nesse mesmo dia, o médico japonês Kentaro Iwata, epidemiologista da universidade de Kobe, lançou um vídeo no YouTube em que criticava as medidas implementadas no "Diamond Princess". O vídeo foi removido no dia 20.

19 fevereiro: os passageiros, como resultados negativos ao teste começam a desembarcar.

20 fevereiro: o diretor-geral da OMS refere que o total de casos de infeção fora da China atingia os 1.076 e mais de metade eram passageiros do Diamond Princess.
Em fins de março, a OMS declarava que o toal de 712 pessoas tinham sido infetadas a bordo do Diamond Princess. Faziam então 19,2% do total.

Março, abril e maio

No 1º de março todos os passageiros e membros da tripulação deixaram o navio. 69 tripulantes eram indonésios que embarcaram a bordo dum navio-hospital. Os primeiros testes deram negativo, mas ao chegarem à ilha de Sebaru para a quarentena obrigatória dois tripulantes estavam doentes. Novos testes aos 69 indicaram que apenas um tinha o teste positivo e foi levado de helicóptero ao hospital de Persahabatan.

16 maio: o Diamond Princess deixou o porto de Yokohama. Segundo as últimas notícias estará a navegar pelos mares da Malásia.

A cobertura mediática dada ao navio de cruzeiro Diamond Princess durante a quarentena em Yokohama terminou em março. Casos semelhantes pelo mundo fora estarão ainda a ocorrer, mas saíram do foco dos media como prova a notícia Covid-19: Desespero leva a greves de fome, suicídios em navios mantidos ao largo — 72 mil tripulantes em 104 navios há meses sem desembarcar, 15.mai.020.

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Fontes: Referidas. Foto: Diamond Princess em quarentena no porto japonês de yokohama. De 3 a 19 de fevereiro — dia em que começaram os desembarques —, as três mil e seiscentas pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, viveram a primeira experiência de confinamento — que hoje, seis meses depois, uma larga parte dos habitantes do planeta já conhecem.

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