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Covid-19 no mundo: Médico Nobel demite-se — "Demora de testes inviabiliza plano de combate preventivo" na RD Congo 21 Junho 2020

"Tenho de tratar os doentes de coronavírus" é a justificação do médico Denis Mukwege, que se demitiu dois meses depois de ser designado responsável pelo combate à Covid-19 na RD Congo. O Nobel da Paz de 2018 aponta a desorganização e incoerência na resposta à epidemia, que impediram a sua equipa no Kivu de pôr de pé a estratégia que ele delineou para "testar, identificar, isolar e tratar" — base indispensável para a fase perigosa em que o mundo está de súbito mergulhado.

Covid-19 no mundo: Médico Nobel demite-se —

O dr. Mukwege na frente de combate ao coronavírus, depois do seu trabalho de décadas na recuperação de mulheres vítimas da guerra, sublinha em especial o facto de as autoridades da Saúde na capital congolesa, Kinshasa, não disponibilizarem à região do Kivu a máquina que permite confirmar em tempo útil o diagnóstico de Covid-19.

A estratégia preventiva que Mukwege delineou para a região do Kivu, distante quase três mil quilómetros da capital, não pôde ser adotada e, diz ele, já é tarde para a adaptar à nova situação: a coordenação nacional anunciou na semana passada que tinham melhorado a resposta e em Kivu podiam ter resultados dos testes em 24 horas.

Tarde demais, porque a doença avançou e hospitais e morgues de Bukavu, a capital do Kivu-Sul, estão acima da capacidade, segundo Denis Mukwege — que nasceu em 1955 no então Congo belga, hoje República Democrática do Congo.

O hospital de Panzi dirigido por Mukwege — médico que se dedicou nas últimas décadas à cirurgia reconstrutiva para salvar mulheres violadas na longa guerra civil do Congo — contava na semana passada uma média diária de cinco óbitos atribuíveis ao coronavírus. Mas o limite da morgue é de cinco cadáveres.
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Fontes: Le Monde/ RFI/BBC. Relacionado: Prémio Nobel da Paz 2018 para médico congolês ..., 06.out.018. Fotos: Denis Mukwege jogou a toalha diante do súbito crescimento de casos de Covid-19 no Kivu-Sul distante quase três mil km de Kinhasa. O país vizinho, a R. Camarões, é o mais flagelado com mais de sete mil mortes em c.11 mil casos confirmados.

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