LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Covid: Amazon impulsionada mas com 20 mil entregadores doentes 05 Dezembro 2020

Este 2020, apesar de ser um ano horrível para a maior parte das empresas em todo o mundo, fortaleceu o comércio eletrónico como mostra o desempenho estratosférico da Amazon durante a pandemia em curso. Mas se em dezembro a multinacional tecnológica tornada gigante de entregas reconhece que uns vinte mil funcionários seus adoeceram de Covid-19, em março no início da pandemia a empresa de Jeff Bezzos — que através dela se consolidou como o mais rico do mundo — calou os desesperados alertas dos funcionários e fez tudo para omitir a gravidade da situação.

Covid: Amazon impulsionada mas com 20 mil entregadores  doentes

Só nos Estados Unidos, contam-se "de março a setembro, pelo menos 19.813 funcionários [que] adoeceram", devido ao coronavírus — divulgou a Amazon esta sexta-feira, quase nove meses decorridos sobre os primeiros casos de Covid-19 entre os entregadores da empresa de comércio eletrónico.

Os quase vinte mil contagiados, em dois trimestres e só nos Estados Unidos, correspondem a c.1,44% dos 1,37 milhões de empregados da Amazon e subsidiária Whole Foods.

Mundo em casa, Amazon traz tudo

Ao longo destes dez meses em que o mundo esteve fechado, a gigante da distribuição — fundada em 1994 para a distribuição de livros — foi para muitos o único elo com o exterior, trazendo todos os bens necessários às casas.

Os alertas dos funcionários serviram para que tanto sindicatos como entidades oficiais se posicionassem para denunciar que a Amazon estará a pôr em risco a saúde dos seus trabalhadores.

A gigante do comércio eletrónico persistiu em não fechar, sob a justificativa de que a taxa de infeção na empresa "está muito mais baixa do que a média", porque "introduz[iu] medidas de distanciamento social e de higienização a cada 90 minutos, distribu[iu]100 milhões de máscaras, f[e]z 150 tipos de alterações logísticas e implement[ou] medições de temperatura nas suas instalações em todo o mundo".

Para apoiar essa afirmação e similares, montou a sua própria central de estatísticas que alegadamente prova que o seu "desempenho é melhor que a média mundial", já que se não fosse pelas "medidas sanitárias eficazes" a taxa de infeções seria 50% maior", com "33.952 trabalhadores doentes" de Covid.

A decisão controversa de manter-se em atividade, mesmo com a infeção a crescer entre os entregadores, fez a empresa crescer 40 por cento no trimestre seguinte: em junho totalizava 89 biliões de dólares (8 mil milhões de contos), com um lucro de 6,2 biliões de dólares (520 milhões de contos) — o maior nos seus 26 anos de atividade.

Fontes: BBC/WSJ/Amazon.com/Reuters. Foto(Reuters): A decisão controversa de manter-se em atividade, mesmo com a infeção a crescer entre os entregadores, fez a Amazon tornar-se a empresa mais lucrativa do comércio eletrónico.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project