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Covid em Portugal: Ilha açoriana é primeiro território europeu certificado por atingir imunidade de grupo 15 Mar�o 2021

A Ilha do Corvo, no arquipélago dos Açores, já tem mais de 85% da população imunizada contra a Covid-19. É, assim, o primeiro território da Europa a atingir a tão desejada imunidade de grupo — depois de ter vacinado 322 corvinos com idade igual ou superior aos 16 anos. A AFP-Associated France Press esteve no Corvo e certificou a ilha como o primeiro território que está a promover a imunidade de grupo.

Covid em Portugal: Ilha açoriana é primeiro território europeu certificado por atingir imunidade de grupo

A primeira dose foi administrada a trezentas e vinte e duas pessoas nos dias 17, 18 e 24 de fevereiro, o equivalente, segundo a Secretaria Regional da Saúde dos Açores, a mais de 95% da população residente no Corvo com mais de 16 anos e a cerca 85% de toda a população da ilha.

A mais pequena ilha dos Açores, o Corvo — com 400 habitantes e um centro de saúde com apenas um médico e dois enfermeiros—, alcançou a tão desejada imunidade de grupo contra o novo coronavírus, depois de ter administrado as duas doses da vacina a mais de 85% de toda a sua população.

"Não conheço nenhuma outra região que tenha implementado um projeto de vacinação em massa como os Açores fizeram", disse Gustavo Tato Borges, presidente da Comissão de Acompanhamento da Pandemia nos Açores, em declarações à RTP.

O responsável destacou o facto de a AFP-Associated France Press ter estado presente no Corvo e ter considerado a ilha como o primeiro território que está a promover uma imunidade de grupo.

O segundo lote de vacinas chegou na quarta-feira, 11, ao Corvo, num avião em que seguiam também dois enfermeiros da ilha de São Miguel. A maioria da população recebeu a segunda dose entre quarta e quinta-feira, 11, mas o processo só ficará concluído na quarta-feira, 17, com a segunda dose inoculada aos últimos dezasseis habitantes.

O arquipélago mais ocidental da Europa já inoculou 29 mil doses à sua população de cerca de 250 mil habitantes.

Tempo ajudou

A operação vacinal decorreu sem entraves colocados pelo mau tempo habitual no grupo ocidental dos Açores. Desta vez, as tempestades tantas vezes presentes deram tréguas.

Bem ao contrário do que aconteceu na assustadora manhã de 2 de outubro de 2019, quando o furacão Lorenzo atingiu as ilhas do Corvo e Flores com rajadas de vento de 145 km/h a 200 km/h. O alerta laranja passou a vermelho e as autoridades davam conta de mais de cem ocorrências que deixaram cerca de 40 desalojados nas primeiras horas do dia. (Portugal: Furacão Lorenzo desaloja e destrói porto nos Açores — "Cidadão tem que pôr a mão", 03.out.019.).

"Há um ambiente de alguma festa no Corvo"

"Há um ambiente de alguma festa no Corvo", admitiu à Lusa o único médico da ilha, António Salgado, na quarta-feira.

"A partir de agora sentimo-nos seguros. Já se dizia que o Corvo era uma ilha segura, pelo seu isolamento e por um certo controlo que se foi fazendo da infeção, mas a partir de agora é uma confiança redobrada e uma sensação de segurança redobrada. Para nós profissionais de saúde e também para a população", acrescentou.

Desde o início da pandemia de Covid-19, a ilha registou apenas um caso de infeção pelo novo coronavírus, diagnosticado, em janeiro, num rastreio realizado a viajantes.

O utente esteve sempre assintomático e não transmitiu o vírus a outras pessoas, mas o caso contribuiu para convencer os mais indecisos a aderir à vacinação.

"Tivemos algumas resistências de início, algumas dúvidas, mas a situação foi melhorando. Houve também algum trabalho de convencimento, de esclarecimento. Penso que a própria situação da Covid e o que foi acontecendo também fez perceber a importância da vacinação", revelou António Salgado.

Para o médico era "quase impossível" conseguir uma adesão maior à que foi registada no Corvo e os números permitem garantir a tão almejada imunidade de grupo, ainda que não se saiba por quanto tempo.

"O Corvo seria um bom local para quem se interessa por essas coisas poder avaliar até que ponto é consistente esta imunidade. Estamos disponíveis para essa colaboração com quem entender que pode fazer algum estudo", salientou.

Fontes: RTP Açores. Fotos: Wikipédia. A ilha, descoberta oficialmente só em 1452, foi após tentativas de povoamento sem sucesso finalmente povoada em 1548 com agricultores e criadores de gado escravos, provavelmente "mulatos idos de Santo Antão" (segundo o cronista coetâneo frei Diogo das Chagas). O escritor Raul Brandão fixou em 1925 a vida nas ’Ilhas Desconhecidas’ e contribuiu assim para a a imagem da ilha do Corvo como uma idílica república comunitária.

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