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Covid no Reino Unido: "Oxalá o Boris tivesse dito para ninguém se visitar no Natal" — Tracy de luto por 4 familiares culpa governo 05 Fevereiro 2021

Tracy Latham está inconsolável com a morte do companheiro, Darren Fisher, de 48 anos, que apanhou o coronavírus quando foi a casa dos pais "apenas por duas horas" no Natal.

"A minha vida acabou", diz Tracy, de 50 anos. O companheiro Darren, a mãe e o pai dele, de 79 e 82 anos, e um tio de 70 morreram entre 4 e 12 de janeiro. Os quatro tinham testado positivo na semana seguinte ao encontro de Natal.

Sem se verem desde março, aproveitaram o relaxamento de medidas que o governo permitiu na quadra de Natal para se voltarem a ver. A decisão foi fatal e cortou os planos de vida de Tracy que vivia com Darren havia doze anos e tinha o casamento marcado para julho. Divorciada, Darren tinha-a ajudado a criar três filhos agora adultos.

"Não sabemos quem passou a quem", afirma Tracy. "O Darren foi à casa [dos pais] para dizer ’Olá’ durante um par de horas, já que não se viam há muito tempo. Foi uma visita rápida pelas 21 horas".

Darren morreu no dia 12 de janeiro, sem saber que o pai falecera no dia 4, e a mãe, diabética, dois dias depois — todos no mesmo hospital de Derbyshire. O tio morreu no lar onde vivia.

Tracy, agora sozinha, desabafa: "Desejava que o Boris [Johnson, primeiro-ministro britânico] tivesse dito que ninguém se podia visitar no Natal".

’O primeiro-ministro tem as mãos sujas de sangue’

"Perdi o meu companheiro com quem ia passar o resto das nossas vidas. Darren esteve comigo doze anos e ajudou-me a criar os meus três filhos até serem adultos".

A mulher enlutada não tem dúvida sobre a quem atribuir a culpa: "O governo fez menos do que devia. O confinamento veio tarde e foi por pouco tempo. O sangue de quem morreu está nas mãos deles. Ninguém me vai convencer do contrário".

Recorde-se que a diabete — de que padecia a mãe Fisher — é tida como uma comorbidade que agrava a doença do coronavírus. As decisões sobre o que fazer em tempo de Covid-19 exigem de cada um a responsabilidade de procurar o máximo de informação e adequá-la, com o conhecimento/saber da sua própria situação. Saber é poder, é assumir a própria vida e não ter, depois do irremediável, de culpar outrem pelas próprias escolhas/decisões.

Fontes: Derby Telegraph.

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