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Crianças e Adolescentes: O trauma e a busca por justiça deixam as vítimas em situação de vulnerabilidade 04 Junho 2021

As crianças e os adolescentes vítimas de agressão e abuso sexual passam por traumas inimagináveis que as deixam vulneráveis perante a sociedade que as julgam e condenam, enquanto proclamam uma justiça amiga das vítimas.

Crianças e Adolescentes: O trauma e a busca por justiça deixam as vítimas em situação de vulnerabilidade

A leitura é das especialistas que atendem as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade face à agressão e violação e que batalha por uma “justiça amiga” das vítimas em Cabo Verde, em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão e Dia Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Menores.

“O abuso sexual é o trauma mais visível nas crianças e adolescentes que passam por violência, pois, é a que tem maior risco por desenvolver problemas psicológicos que podem gerar consequências de cariz depressivo, dificuldade em relacionar-se com outras pessoas, diminuição de auto-estima e outros”, disse a psicóloga do ICCA que atende vítimas de abuso e trauma, Aliana Carvalho, citado pelo Inforpress.

Aliana Carvalho,. que falava sobre os traumas por que passam as vítimas quando sofrem agressões, afirmou que a violência sexual é a que deixa as vítimas mais vulneráveis e com sequelas que as levam a ter sentimento de culpa, a odiar o corpo, podendo até tornar-se vítimas de relações abusivas.

A mesma sublinha que o acompanhamento psicológico, ajuda a minimizar e a ultrapassar a violação, mas nunca ajuda a esquecer o facto, visto tratar-se de uma ferida que “nunca se cura”.

“O psicólogo apenas contribui com ferramentas para que a vítima saiba manejar a ferida existente”, ressalta a psicóloga, admitindo que para as crianças menores de idade, é mais fácil esquecer, já que não têm noção do abuso de que foram alvo, conforme escreve a nossa fonte.

A especialista em psicologia clínica, segundo a Inforpress, admite ser bom ter um dia para reflectir sobre o tema, e é da opinião que o trabalho a ser feito nesta matéria deve ser de cariz preventivo, com ensinamentos que mostram às crianças que “devam proteger o seu corpo não deixando que ninguém o toque”.

Já para a presidente da Associação Crianças Desfavorecidas (Acrides), Lourença Tavares, uma associação que tem lutado para denúncias e melhoria da justiça nesta matéria, a alteração da lei foi a medida que melhor contribuiu para minimizar o problema, já que se passou a considerar crime sexual, que antes era tido até 14 anos ou até aos 16 anos.

Perante a siatuação, esta responsável recomenda que o país necessita melhorar mais no que respeita a respostas no domínio da justiça, assim como no atendimento à vítima e à criação de salas de escuta para atendimento de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual.

“Estamos à espera que o Governo arrume a casa para continuarmos o projeto “Justiça Amiga da Criança”, financiada pela embaixada dos Estados Unidos da América e que vai dar resposta à nossa preocupação de retribuir à criança a confiança, e que a justiça seja adaptada ao crime que viveu”, adianta.

Entretanto, Lourença considera que Cabo Verde está “muito bem servido”, em termos de técnicos nas áreas sociais e humanas, assim como nas de assistente social e psicólogos junto das vítimas e famílias.

“Do setor da justiça espera-se melhorias no sentido de melhorar as respostas, pois, a criança ou adolescente que é levado para centros de emergência por causa de violência e abuso tem a sua integração na família dificultada quando o agressor é um familiar”, opina.

Sobre este assunto, a Inforpress noticia que tentou ouvir um representante da justiça (Curador de Menores) para falar sobre como funciona a justiça no caso da violência e abuso sexual, mas tal não foi possível apesar da insistência.

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