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Crioulo : Debate caloroso em Lisboa exige esclarecimentos sobre ALUPEC 11 Maio 2009

Muitos cabo-verdianos em Lisboa ainda não sabem que o crioulo já é língua nacional nem que foi aprovado o “alupec”. Alguns continuam a afirmar o crioulo da sua ilha como exemplo de que há outros das restantes ilhas e que o seu não pode ficar prejudicado, a favor da nuance de Santiago. Outros, os que sabem, estão divididos quanto ao método do alfabeto fonético que utiliza o”K” em vez do “C” ou o processo etimológico que respeita a raiz histórica e privilegia o “C” com a origem portuguesa.

A maior parte, incluindo os que defendem o “alupec” com base no método “K”, como por exemplo Viriato Barros, professor, reconhecem que “é preciso um debate mais alargado”. Barros considera que apesar de já estar consagrado na lei, corre-se o risco da decisão política ficar “letra morta” por inércia se não se avançar com uma efectiva estruturação cientifica da escrita.

Aconteceu no sábado passado, numa “mesa-redonda” sobre o tema, na Associação Cabo-verdiana dos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, em Carnide, de casa cheia, e que teve a presença da Presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, Isaura Gomes, que manifestou satisfação por verificar tão acirrado debate em torno de uma questão que, disse, “é central em Cabo Verde”. Referiu que a discussão devia há muito tempo constar da agenda política e disse esperar que ele venha a ser verdadeiramente debatido em Cabo Verde.

O debate, o primeiro de um ciclo, e que partiu da posição de três oradores, Viriato Barros, Celso e Cecílio Nunes, teve calorosa participação. Celeste Correia, Celina Pereira, José Luís Hopffer Almada eram visíveis entre outras figuras conhecidas nesta associação.

Alguns cidadãos manifestaram-se favoráveis à existência de uma língua cabo-verdiana, mas eram discordantes quanto ao afastamento da etimologia portuguesa, referindo que o crioulo deriva na sua maioria do português e é a esta língua que vai buscar as palavras faltosas.

Fátima Monteiro, concordando com uma língua cabo-verdiana, afirmou-se discordante da substituição da letra “C” pelo “K”, ou seja, do alfabeto etimológico pelo método fonético, e referiu estudos científicos que provam que isso não contribui para uma melhor aprendizagem. Considerou que o governo cabo-verdiano deve investir no ensino do crioulo e do português e criticou o estado lastimoso em que chegam muitos alunos de Cabo Verde para as universidades portuguesas, quanto ao conhecimento da língua.

José Luís Hopffer Almada, um dos defensores e integrantes do grupo de trabalho do alupec, clarificou os presentes de que se trata apenas de encontrar uma escrita uniforme. Cada pessoa pode falar o seu crioulo, com as nuances que pretender. Explicou a importância da língua cabo-verdiana em paridade com o português e invocou que isso ficou constitucionalmente consagrado desde o governo do MPD, em 1999.

OL

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