ECONOMIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Crise Nissan-Renault: Pai e filho detidos nos EUA como cúmplices de Ghosn fugido do Japão com malão e máscara 21 Maio 2020

As autoridades americanas cumpriram hoje (4ªfª, 20) em Massachusetts os dois mandados de captura internacional contra Michael Taylor, de 59 anos, e Peter Taylor, de 27 anos, que a justiça japonesa acusa de cumplicidade na fuga de Carlos Ghosn. Os dois, pai e filho, ficaram detidos à espera da decisão do tribunal sobre a sua extradição para o Japão.

Crise Nissan-Renault: Pai e filho detidos nos EUA como cúmplices de Ghosn fugido do Japão com malão e máscara

Peter Taylor foi detido em Boston quando se preparava para viajar para Beirute, onde Carlos Ghosn vive desde que em 29 de dezembro fugiu do Japão. A Justiça japonesa acusa um total de nove pessoas — os Taylors, quatro pilotos, dois assistentes de bordo e o executivo Zack ’perito em imigração ilegal’ — de cumplicidade nessa fuga.

A fuga espectacular do trinacional Ghosn, nascido no Brasil de pais libaneses e cidadão francês, decorreu nos últimos dias do ano transato. Entre a sua residência em Tóquio vigiada pela polícia japonesa e a residência refúgio em Beirute, bem guardada, Ghosn contou com várias ajudas, a começar pelos dois americanos que o esconderam dentro de um malão (foto) com discretos respiradouros e uma máscara cirúrgica.

Carlos Ghosn, herói nacional japonês pelas proezas na gestão da Nissan, foi preso pela primeira vez em novembro de 2018. Segundo a agência de notícias nipónica Kyodo, Ghosn foi acusado de ocultar remunerações no valor de 44 milhões de euros, nos últimos cinco anos (antes da sua primeira detenção, em novembro de 2018). Foi libertado em fevereiro de 2019, mas voltou a ser preso.

Da última vez, saiu sob fiança de um bilião e meio de ienes ($13,8 milhões de dólares) — valor que agora entra para os cofres do estado japonês.

A fuga espectacular. As câmaras de videovigilância omnipresentes em Tóquio mostram Carlos Ghosn a sair de casa às duas da tarde. No rosto, uma máscara muito comum na poluída capital japonesa.

Menos de um quilómetro à frente, entrou no hotel. Tudo ficou gravado sem levantar suspeitas, em plena quadra de Ano Novo, a festa mais importante no país, diz o Japan Times.

Dois hóspedes do hotel saem uma hora depois. Duas volumosas malas, o habitual. Viajam quinhentos quilómetros até ao aeroporto de Osaka onde têm à sua espera o avião em que o fugitivo voa para a liberdade.

O outrora superpresidente da Nissan-Renault-Mitsubishi teve tempo para delinear a sua fuga. O timing certo, que foi tentar a fuga apenas depois de provar que não o faria. O contrato com os dois peritos em segurança, que trabalharam para governos, operando nas duas margens, a da legalidade e o seu oposto. O avião fretado em Istanbul e pago em Dubai.
...
Fontes; Financial Times/Washington Post/Boston Globe/Le Monde. Relacionado: Crise Renault-Nissan: Réu Ghosn refugia-se no Líbano como fugitivo de "sistema judicial japonês parcial", 01.jan.020; Crise Nissan-Renault: Ghosn promete revelações após fuga do Japão com malão e máscara, 08.jan.020. Fotos: Carlos Ghosn a sair de casa às duas da tarde, com uma máscara muito comum na poluída capital japonesa antes do surto pandémico. O malão em que viajou de Tóquio a Istanbul antes de rumar a Beirute.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project