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Crise Renault-Nissan: Réu Ghosn refugia-se no Líbano como fugitivo de "sistema judicial japonês parcial" 01 Janeiro 2020

O gestor franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn — desde março em prisão domiciliária em Tóquio, após ter estado preso desde novembro de 2018, a aguardar o julgamento em abril próximo por "crimes financeiros", como a "sonegação de rendimentos e fraude fiscal" — fugiu para o Líbano onde, segundo diz em comunicado no dia de São Silvestre, pode enfrentar o "sistema judicial japonês parcial" que "desrespeita os direitos humanos básicos".

Crise Renault-Nissan: Réu Ghosn refugia-se no Líbano como fugitivo de

"Já estou no Líbano e deixei de ser o refém do "sistema judicial japonês parcial" e "preconceituoso" que "culpa antes de investigar" e "desrespeita os direitos humanos básicos", afirma no comunicado divulgado na terça-feira.

"Não fugi à justiça — Escapei da injustiça e perseguição política", disse o executivo, de 65 anos, que deu as cartas no mundo da construção automóvel nos últimos trinta anos.

"Agora posso exercer a minha liberdade de expressão e a partir da próxima semana começo a falar com a comunicação social", rematou no comunicado.

O Le Monde avança que Ghosn tinha a esposa Carole (foto) à espera, na sua casa de Beirute "protegida por dezenas de guardas". O Líbano é a terra dos ancestrais de Carlos e ali fez a sua escolaridade dos seis aos dezasseis anos.

A "espectacular" fuga está a fazer as primeiras páginas dos noticiários: como é que estando sob vigilância estrita, 24 sobre 24 horas, com passaporte confiscado, sem acesso à internet e sem visitas ele escapou e fez os nove mil quilómetros entre Tóquio e Beirute?

O diário libanês Al Joumhouria na sua edição desta terça-feira, 31, explica que o ex-super-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi fez a fuga aproveitando o baixar da guarda sobre a sua vigilância na quadra festiva. A primeira etapa da viagem foi Japão-Turquia e seguiu-se no domingo por avião privado a viagem Turquia-Líbano.

Também a televisão nacional japonesa NHK, citada pelo Wall Street Journal, avançou que Ghosn viajou sob um nome falso. Ele terá assim passado pelos controlos no Aeroporto Internacional de Narita, em Tóquio.

Líbano não tem acordo de extradição com Japão

O diário francês L’Express ouviu peritos em direito internacional sobre o que vai ser o futuro judicial de Carlos Ghosn. Não pode ser julgado no Líbano porque entrou legalmente no país. O dossier judicial não pode ser transferido.

Examinadas as diversas possibilidades, vê-se que ele está mesmo fora do alcance da lei japonesa.
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Fontes: Le Monde/Japan Times/ Referidas. Relacionado: Japão recebe G20 sob pano de fundo da crise da Nissan-Renault, 23.abr.; Nissan é fusão que França quer acelerar, mais que Japão, 21.jan.; Indústria automóvel treme com prisão de super-presidente de Renault-Nissan-Mitsubishi, 21.nov.018; Fotos: Outdoor em Beirute mantém há mais de um ano a mensagem de apoio a Ghosn. (Foto inserida:) A Nissan em 2018 contestou a fatura (paga pela empresa) da milionária festa de casamento de Ghosn, a qual teve lugar no Palácio de Versalhes, em outubro de 2016 na presença dos filhos da segunda esposa, mas não dos filhos dele.

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