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Crise dos opióides nos EUA: Purdue Pharma aceita pagar $8,3 bn para tratar vítimas e fecha portas 24 Outubro 2020

O Departamento de Justiça anunciou na quarta-feira, 21, que a Purdue Pharma aceitou pagar 8,3 bn de dólares e cessar a produção de Oxycontin, fármaco opiáceo responsável em cada ano desde 1996 por milhares de vidas destruídas nos Estados Unidos. O acordo pelo qual a farmacêutica sediada no Conneticut, a norte de Nova Iorque, reconhece a sua culpa, demorou anos e inclui apenas três crimes federais relativos à crise opióide que há anos devasta vidas.

Crise dos opióides nos EUA: Purdue Pharma aceita pagar $8,3 bn para tratar vítimas e fecha portas

O ano passado a Purdue propôs ao Estado "nacionalizar a empresa" para que "os lucros revertam a favor dos codeinodependentes". A proposta era desesperada, ante a iminente ameaça de perder uma boa parte da fortuna para indemnizar o Tesouro Público pelos gastos com a Saúde de milhões de pessoas vítimas da adicção com o fármaco OxyContin — um medicamento vendido sob receita médica, mas co-responsável, com outras marcas, pela crise opiácea.

Nacionalizar era impensável e treze meses depois chega-se ao atual acordo, pelo qual a empresa privada da família Sackler cuja fortuna é estimada em treze biliões de dólares, aceita pagar "multas" no total de 8,3 biliões de dólares.

Sem esse total disponível ’cash’, a Purdue vai ter de vender a maior parte dos seus bens, o que significa fechar a companhia, para pagar as "multas" ao Tesouro. O montante, garante a Justiça, será "utilizado para tratar os codeinodependentes".

A Purdue, empresa privada, era um caso de sucesso só possível na terra das oportunidades: evoluiu de um balcão onde dois irmãos investiram há meio século umas centenas de dólares para um volume de negócios que se escreve com 14 dígitos.

Treze biliões de dólares ganharam os donos da Purdue com o analgésico OxyContin, vendido desde 1996. Mas no outro lado da balança estão quatrocentos mil mortos por overdose do medicamento e milhões de pessoas codeinodependentes, já que pela sua composição, com derivados do ópio como a codeína e a morfina, gera forte dependência química.

A crise dos opiáceos está a piorar a esperança de vida nos Estados Unidos, que em 2040 será de 79,8 anos em média. Ou seja, cairá para a sexagésima-quarta posição do ranking – piora vinte e uma posições: hoje está na 43ª posição.

Fontes: NY Times/Washington Post/Le Monde/Sites institucionais. Relacionado: EUA: Crise opióide leva Purdue Pharma a pedir nacionalização do grupo, 17.set.019. Fotos (AFP): Sede da Purdue em Stamford, Conneticut, na costa leste dos EUA, a norte de NY. Treze biliões de dólares ganharam os donos da Purdue com o analgésico OxyContin, vendido desde 1996. Mas no outro lado da balança estão quatrocentos mil mortos por overdose do medicamento. Pela sua composição, com derivados do ópio como a codeína e a morfina, gera forte dependência química.

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