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Crise no MpD: Cândido Rodrigues pede convenção extraordinária urgente para discutir a situação crítica do partido e avisa Ulisses Correia e Silva que a derrota de Carlos Veiga não vai ficar em branco 01 Novembro 2021

Directamente dos EUA onde reside, o antigo dirigente nacional e deputado pelo círculo das Américas, Candidato Rodrigues, pede, através de um vídeo publicado na rede social Youtube, uma convenção extraordinária urgente para que o MpD possa debater os problemas internos alegadamente criados com a «ditadura interna» imposta pela atual liderança de Ulisses Correia e Silva. Em causa está «a situação altamente crítica do partido» criada com a derrota de Carlos Veiga nas recentes eleições presidenciais de 17 de outubro. «A derrota de Carlos Veiga foi sobretudo o reflexo do que Ulisses Correia e Silva prepara para o seu futuro. E ninguém me vai convencer em sentido contrário. Não vou entrar em pormenores. Mas essa derrota de Carlos Veiga não vai ficar em branco», desafiou Cândido Rodrigues, que denunciou ainda grupos de interesses instalados dentro do MpD, que integram sobretudo aqueles que estiveram na origem do seu desmembramento (Cisão) no passado.

Crise no MpD: Cândido Rodrigues pede convenção extraordinária urgente para discutir a situação crítica do partido e avisa Ulisses Correia e Silva que a derrota de Carlos Veiga não vai ficar em branco

Como fundamentou, Rodrigues realçou que com o vídeo referido pretende desabafar e partilhar «a situação altamente crítica no partido», mas que ninguém, por medo, quer falar. Disse que a maioria de membros está intimidada pela estratégia montada pela atual liderança de Ulisses Correia e Silva para eliminar vozes críticas internas e refundar o partido, criando um sistema que tem gerado descontentamentos internos, sobretudo por parte dos militantes mais fieis ao partido.

Considerou que a primeira machada que o MpD sofreu foi com a alteração do seu estatuto. Criticou que Ulisses Correia e Silva criou uma Camisão Política (CP) à sua imagem, cujos membros o seguem religiosamente sem fazer qualquer tipo de oposição interna. Que depois criou uma Direção Nacional (DN) também à sua imagem: fez mudança nos estatutos e criou um suporte à sua volta para que possa tomar medidas com aqueles que não quer contar ou que podem constituir uma preocupação no partido.

«O apelo que eu faço é no sentido de todos os militantes se unirem e exigirem a convocação de uma convenção extraordinária para mudar a situação atual do MpD. A primeira medida a tomar deve passar pela eleição de uma nova Comissão Política e por uma nova Direção Nacional, mas todas escolhidas pelas bases do partido e não por Ulisses Correia e Silva», desafiou, denunciado medidas ilegais tomadas, a perseguição e intimidação perpetuadas contra críticos internos.

No seu vídeo, Cândido Rodrigues analisou também os resultados das últimas eleições. Segundo ele, nas autárquicas anteriores, dois dirigentes desafiaram o partido, mas por falha da liderança acabaram por concorrer como independentes e ganharam as Câmaras de Boa Vista e da Ribeira Brava de São Nicolau. Considerou que se fez eleições internas sem critérios bem definidos. «Ulisses criou um ambiente de crispação dentro do partido – escolhas feitas à medida de UCS e da CP que controla – ninguém entra na lista sem indicação de UCS. Isto é pior do que acontece na Guiné Bissau e em alguns países de africa onde a democracia não existe», acrescentou.

Grupos de interesses instalados no MpD

Numa alusão indirecta a antigos dissidentes do partido (PCD e PRD), Rodrigues denunciou ainda grupos de interesses instalados dentro do MpD. «Temos grupos de interesse dentro do MpD instalados, que controlam e dão ordens ao partido. Indivíduos que por ironia do destino estiveram na origem do desmembramento do partido no passado. Hoje controlam o sistema do partido, dão ordens e criam imagem negativa de pessoas que acham ser inconiventes. Temos que acabar com tudo isto. Temos que exigir uma convenção extraordinária para discutir tudo isso e criar um novo modelo de funcionamento do partido».

Rodrigues concluiu que os resultados das últimas eleições autárquicas foram péssimas: o MpD perdeu as maiores Câmaras de Cabo Verde, algumas históricas que vinha gerindo (São Domingos, Tarrafal de Santiago). Tudo, segundo ele, por causa de teimosia da autal liderança em impor pessoas da sua preferência e ausência de critérios corretos na escolha dos candidatos.

Causas da vitória nas legislativas e derrota de Carlos Veiga

Conforme analisou no vídeo que vimos citando, Rodrigues considerou que apesar de mágoa e tristeza, nas legislativas todas as pessoas do MpD se juntaram e trabalharam pela vitória, porque perceberam que o MpD estava na iminência de voltar à oposição.

«Mas isso não aconteceu nas presidenciais com o Dr Carlos Veiga. Isto é uma coisa que mais me magoou muito como uma pessoa que gosta da política. Porque Carlos Veiga é a pessoa que não merecia este tipo de castigo. CV é alguém que mais fez e lutou para o partido e agora é mais penalizado pelo sistema MpD», salientou.

Detendo-se ainda sobre este particular, Cândido Rodrigues advertiu que Ulisses Correia e Silva é a pessoa que menos fez para o MpD, mas é quem mais beneficiou do partido: foi candidato três vezes à Câmara da Praia, foi presidente da CM da Praia, foi vice-presidente de três líderes do MpD, foi candidato e atual Primeiro-ministro. «Isto como se o partido fosse sua propriedade privada. As coisas não podem continuar assim. O partido tem de mudar e ser mais democrático. E as estruturas têm que funcionar».

Numa leitura crítica, Rodrigues ligou a derrota de Carlos Veiga com a preparação do futuro político de Ulisses Correia e Silva. «A derrota de Carlos Veiga foi sobretudo o reflexo do que Ulisses Correia e Silva prepara para o seu futuro. E ninguém me vai convencer em sentido contrário. Não vou entrar em pormenores. Mas essa derrota de Carlos Veiga não vai ficar em branco. Temos de agir: unir todos militantes em todas partes do mundo e exigir urgentemente uma convenção extraordinária. Mas não uma convenção de Ulisses Carreia e Silva. Tem de ser uma convenção de militantes de MpD. Sobretudo de militantes de base, onde podem falar, discutir e escolher um melhor modelo de funcionamento do partido. O sistema de ditadura interna que o MpD tem neste momento tem que terminar urgentemente. Caso contrário, Ulisses ficará sozinho com o seu grupo», destacou.

Cândido Rodrigues prometeu inclusive trabalhar para mobilizar recursos para a realização da magna assembleia, por entender que o MpD não pode continuar como está neste momento.

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