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Crise separatista nos Camarões fez fugir 43 mil anglófonos para Nigéria 26 Janeiro 2018

Quarenta e três mil pessoas — e não quinze mil, como anunciara há duas semanas o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)— em fuga da região anglófona, no sudoeste da República dos Camarões, encontraram refúgio na Nigéria, reporta o SEMA, a autoridade nigeriana de acolhimento aos refugiados.

Crise separatista nos Camarões fez fugir 43 mil anglófonos para Nigéria

A ampla diferença nas duas contagens resulta, explica o SEMA, da "diferente metodologia utilizada" para contar os que saíram dos Camarões: "o ACNUR contou apenas os que chegaram por meios de transportes convencionais, enquanto que o SEMA contou os efetivamente ingressados na Nigéria, por diversos meios", relatou o responsável do SEMA, John Inakuththe.

A BBC em Abuja chegou à fala com pessoas que contaram sobre travessias feitas a pé. Em alguns casos demoraram semanas, por se terem perdido na floresta. Outras atravessam rios, correndo perigos vários. Os refugiados vão ter a aldeias onde as populações os acolhem, mas "o stress é enorme, porque os recursos desses aldeões são escassos e eles já não podem mais", disse o responsável do SEMA ao Le Figaro.

A autonomia reivindicada pela minoria anglófona, que constitui cerca de um quinto da população dos Camarões, um país de maioria francófona, tem conduzido a confrontos abertos com o governo liderado pelo presidente Paul Biya.

Foi assim há um ano quando as greves dos magistrados e professores anglófonos quase paralisaram o país em março. Só ficaram resolvidas em abril, com o Executivo a fazer concessões aos grevistas da minoria que se diz injustiçada no país de maioria francófona.

Mas em outubro, reabriram-se as hostilidades com a declaração da independência da "Ambazónia", um autodenominado Estado independente na fronteira sudoeste com a Nigéria. A intervenção do exército pôs então fim a mais este surto de reivindicação autonómica. Por pouco tempo, como se vê.

O presidente Paul Biya, há 35 anos no poder, acusa a Nigéria de alimentar a pretensão separatista da minoria anglófona. Fontes: Le Figaro, BBC.

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