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Críticos internos clamam pela mudança na UCID: João Santos Luís pressionado para concorrer à liderança do partido 15 Dezembro 2021

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) marca para final de março de 2022 o seu congresso ordinário para a eleição de novos órgãos nacionais. O atual vice-presidente João Santos Luís, que é também o quinto da lista de deputados do mesmo partido pelo círculo eleitoral de São Vicente, está sendo pressionado por dirigentes e militantes de base para concorrer à liderança da organização, em substituição de António Monteiro que, segundo vozes críticas, «ficou um pouco desacreditado junto de muitos militantes e eleitores locais por ter apoiado a candidatura presidencial de Carlos Veiga», derrotado nas eleições de 17 de outubro deste ano.

Críticos internos clamam pela mudança na UCID: João Santos  Luís pressionado para concorrer à liderança do partido

O Asemanaonline está em condições de avançar que a decisão de reconfirmar o Congresso ordinário da UCID saiu da última reunião da Comissão Política Nacional, que aconteceu no final da semana passada na cidade do Mindelo. A magna assembleia dos democratas-cristãos estava prevista para finais deste ano, mas por constrangimentos vários foi adiada para os últimos dias dias de março de 2022.

A fazer fé nas fontes deste jornal, a instância máxima da UCID vai aprovar a sua estratégia política para os próximos três anos e eleger os órgãos nacionais, com destaque para o novo líder que substituirá António Monteiro, que anunciou a sua intenção de não concorrer àquele cargo. A par disso, a liderança de Monteiro saiu, conforme ucidistas, bastante fragilizada com os protestos de militantes e eleitores que reprovaram (ver resultados eleitorais das presidenciais) o apoio da UCID à candidatura de Carlos Veiga à chefia do Estado, que foi derrotado por José Maria Neves nas eleições de 17 de outubro deste ano. Críticos internos admitem que contribuiu ainda para o desgaste político de António Monteiro a forma como geriu junto da Mesa da AN o processo de levantamento da imunidade do deputado Amadeu Oliveira - apontam que houve erros no cálculo de possíveis implicações criminais para o Oliveira e consequências políticas para o partido com tal ato. O fato da UCID ter estado sempre atrelado ao MpD (aprova todos Orçamentos do Estado e projetos importantes do governo do MpD), mesmo fazendo discurso contrário no parlamento e na sociedade civil, é um outro aspeto negativo da liderança de António Monteiro realçado pelas fontes deste jornal.

Diante de tudo isto, surge uma forte corrente interna a defender «mudança urgente» na liderança e forma da atuação da UCID – precisa funcionar de forma mais independente com uma visão clara de atrair mais quadros, eleger deputados/vereadores fora de São Vicente, principalmente nos maiores círculos eleitorais do país e transformar assim numa força charneira contra a bipolarização política reinante em Cabo Verde.

A pensar nisso, vários dirigentes e militantes de base estão a pressionar João Santos Luís, atual vice-presidente, para concorrer à liderança da organização no congresso de março do próximo ano. « Há movimentações neste sentido e tudo leva a crer que vai aceitar o desafio de assumir a liderança da UCID», confidenciou uma fonte do mesmo partido.

Mestre e defensor dos ideais dos democratas-cristãos

Mestre com licenciatura na administração portuária, João Santos Luís é quadro da Enapor. Voltou ao seu quadro de origem depois das legislativas deste ano, visto que não foi reeleito deputado da nação por ter ficado na quinta posição – aceitou ficar nessa posição a bem do seu partido, dando lugar a caras novas, incluindo independentes.

Conforme as fontes deste jornal, ele conhece bem a UCID e seus membros – tem sido importante na montagem da engenharia financeira da organização, principalmente nos períodos eleitorais. Como deputado da Nação, ele se destacou, pelo menos até ao fim da penúltima legislatura, como «defensor acérrimo dos ideais dos democratas-cristãos nos debates parlamentares e nos programas da rádio e televisão públicas». Por isso, foi, por vezes, alvo de críticas ferozes por parte de dirigentes do MpD.

Este jornal não conseguiu, no entanto, chegar à fala com João Santos Luís, apesar das chamadas feitas e sms envidas para o seu telemóvel, que nunca respondeu.

Entretanto, o militante da UCID Edson Ribeiro em Santiago anunciou, no dia 26 de novembro, na sua página de rede social, a sua disponibilidade para se candidatar à liderança do partido, prometendo impulsionar uma nova dinâmica, a partir dos ganhos e experiências, mas com humildade e imbuído do “espírito de bem servir”.

“Neste contexto de desafios cada vez maiores e perante uma necessidade inquestionável de renovação, disponibilizo-me para ser candidato à liderança da UCID, porque é meu entendimento que o partido, os militantes, os cabo-verdianos e o país precisam e querem novos intervenientes para impulsionar uma nova dinâmica”, referiu, segundo a Inforpress, Edson, que foi mandatário do candidato presidencial Hélio Saches nas eleições de 17 de Outubro deste ano.

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