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Cuba: ’1ª denúncia feminista de violação sexual’ visa JL Cortés, famoso da música — Ele processa Dianelys por difamação 28 Junho 2019

Dianelys Alfonso Cartaya, mcp ’A Deusa’, que se autodefine como "cantora de música urbana, compositora e atriz", surpreendeu todos, há dias, quando em resposta a uma pergunta que a surpreendeu também durante uma entrevista em direto, acabou por denunciar o "famosíssimo renovador da música e cultura cubanas", o diretor musical José Luis Cortés de a ter violado há quinze anos.

Cuba: ’1ª denúncia feminista de violação sexual’ visa JL Cortés, famoso da música — Ele processa Dianelys por difamação

A cantora estava a ser entrevistada, por videochamada, na sexta-feira, 14, por Alex Otaola, famoso ator e apresentador da TV Cuba-Miami, e ao ser confrontada com o "rumor" desfez-se em lágrimas. Acabou por contar que sim, foi vítima de violação pelo diretor do grupo musical há 15 anos.

O visado, José Luis Cortés, processou Dianelys Alfonso por difamação. Um dos mais proeminentes músicos de Cuba, Cortés, que conta com grandes êxitos musicais, é o celebrado detentor dos maiores prémios da música cubana e o maestro da "nova escola" de intérpretes e flautistas da música popular cubana.

A trajetória musical do flautista, maestro, compositor e produtor musical é tida como uma das que mais contribuiram para o atual estádio de "desenvolvimento da música e cultura cubanas, reconhecidas a nível mundial", como foi enaltecido durante a cerimónia do Prémio Nacional de Música Cubana de 2017.

A cantora contou sobre a atitude, de pura "admiração", que ela nutria pela música de Cortés. "Mas os anos em que integrei a banda foram os mais difíceis da minha vida", afirmou Dianelys explicando que Cortés a maltratou "psicológica, física e sexualmente".

Descrédito e ameaças

Desde a entrevista em direto, "A Deusa" da música urbana recebeu uma avalanche de ameaças, tanto nas redes sociais como por telefone. Criticam-lhe designadamente "a escolha do momento e lugar", bem como, a "linguagem" usada para relatar a sua traumática experiência.

Mesmo os que apoiam a sua decisão de falar, fizeram-no em mensagens privadas. Mas a artista acabou por as divulgar, numa tentativa de reverter o descrédito em que caiu.

"Entre as pessoas que foram testemunhas de tudo, só há o silêncio total. Todos estão com medo", disse ao Deutsche Welle.

Dianelys relata ao diário alemão que, ao receber uma "mensagem com ameaças" do visado e depois de ter em vão procurado as autoridades que não lhe aceitaram a queixa, só graças ao apoio de uma ONG e de uma advogada ativista conseguiu entregar à justiça o caso.

Foi então que Dianelys recebeu uma notificação de que o alegado agressor a tinha processado por difamação. Ele tinha-se adiantado em apresentar queixa, porque ela não conseguir apresentar a sua. "Tenho receio porque estou a lutar contra uma pessoa muito importante neste país", disse.

Mesmo se pode contar com a ajuda de advogados e ONGs pró-defesa dos direitos da mulher, a artista sabe que vai "enfrentar uma batalha enorme".

"Receio que vão fazer tudo para esconder a realidade em nome da defesa da cultura de Cuba, aos olhos do mundo". Mas de uma coisa Dianelys tem a certeza: "Ainda bem que falei".

Re-vitimização

Este caso demonstra "os perigos de trazer os casos de violência baseada no género ao espaço público", analisa a socióloga Ailynn Torres Santana ao DW. "Isso pode causar a re-vitimização das mulheres", afirmou a socióloga.

O caso desta famosa acabou por expor o problema da VBG em Cuba, considera Ailynn Torres. O fenómeno "nos anos mais recentes começou a ser entendido como um problema social, com base em estatísticas, e que o Estado reconhece", acrescentou a cientista social.

A nova Constituição da República de Cuba contém entradas relativas à VBG, nas quais se "reconhece a necessidade de o Estado se envolver ativamente no combate contra a violência baseada no género".

Estatísticas recentes mostram que 26,7 por cento das cubanas entre os 15 e os 74 anos de idade foram vítimas de "alguma forma de violência numa relação romântica nos últimos 12 meses".

Pela primeira vez, Cuba reconheceu, este ano, que há homicídio de mulheres causado por VBG. O relatório elaborado recentemente pelo governo indica que 1.086 cubanas morreram às mãos dum cônjuge (lato sensu) entre 2010 e 2017.

Fontes: Referidas/El Universo

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