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Debate entre candidatos: Casos de profanações de Igrejas e Cônsul de extrema-direita recolocados na agenda 11 Outubro 2021

O segundo debate entre os sete candidatos presidênciais, realizado este domingo pela RTC, conheceu momentos mais quentes quando se exigiu esclarecimentos sobre questões polémicas. O presidenciável Carlos Veiga foi confrontado com os casos da profanação de tempos católicos quando era Primeiro-ministro na década 90, e mais recentemente como embaixador da Praia nos EUA sobre o alegado escândalo com a nomeação de César do Paço como Cônsul de Cabo Verde na Florida, que foi o financiador do Chega, um partido português da extrema-direita. José Maria Neves foi, por seu lado, questionado sobre a problemática da suspensão de alunas grávidas em liceus por altura que foi chefe do governo.

Debate entre candidatos: Casos de profanações de Igrejas e Cônsul de extrema-direita recolocados na agenda

O concorrente presidencial Hélio Sanches foi quem introduziu a questão do Cônsul de extrema-direita. O candidato exigiu que Carlos Veiga explicasse aos cabo-verdianos as razões da nomeação de César do Paço como Cônsul de Cabo Verde na Flórida, quando era Embaixador nos EUA. Isto sabendo que Paço era o principal financiador do Chega, que é um partido português de extrema-direita. Um caso que provocou a queda do então ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiro e das Comunidades, Luís Filipe Tavares.

Este assunto foi recolocado pelo candidato a PR José Maria Neves, que também pediu Carlos Veiga para esclarecer o polémico caso relacionado com as profanações de igrejas católicas na década de 1990, quando Veiga era chefe do governo. Em causas estão sobretudo acusações alegadamente injustas a um grupo de cidadãos de São Domingos, em que alguns foram presos e acusados como supostos autores de tais crimes – foram depois ilibados por serem inocentes.

Mas durante o debate Carlos Veiga preferiu, no entanto, ignorar os questionamentos feitos por Hélio Sanches e José Maria Neves, não se pronunciado sobre aqueles dossiês polémicos – profanações de templos católicos e a nomeação do cônsul de extrema-direita nos EUA.

Um outro momento quente do debate presidencial deste domingo foi quando o candidato Casimiro de Pina interpelou José Maria Neves sobre a alegada proibição de alunas grávidas no ensino público. De Pina classificou ter sido uma medida «tilabã», que pôs em causa o estabalecido na Constituição da República.

No seu estilo sereno de não fugir a questionamentos, José Maria Neves explicou que a afirmação de Casimiro de Pina está fora do contexto em que a medida foi tomada. Esclareceu que, pedagogicamente, a decisão foi no sentido de suspender alunas grávidas para que pudessem ter acompanhamento psicológico e gravidez saudável, realçando, portanto, que não se expulsou grávidas de escolas. JMN replicou que Casimiro de Pina, militante do MpD, quis com isso atacar a sua possa com objetivo meramente político.

Aliás, segundo suspeitas de adeptos de Neves, a «candidatura de Casimiro de Pina foi alegadamente forjada pelo MpD, exatamente para atacar e desgastar José Maria Neves e facilitar a vida ao Carlos Veiga, candidato do seu partido».

Outras questões relevantes que animaram os debates foram o impedimento de candidatura presidencial para pessoas com duas nacionalidades ou daqueles que não residem três anos em Cabo Verde, o acordo de defesa e segurança Sofa, a integração do país na CEDEAO, a permanência da Guiné Equatorial na CPLP mantendo a pena de morte, o papel da emigração no desenvolvimento de Cabo Verde, a política externa do país, entre outros aspetos. Os candidatos foram mais divergentes no tocante à permanência da Guiné Equatorial na CPLP e a participação de Cabo Verde na CEDEAO – maioria a favor, alguns nem tanto.

Os outros momentos do debate foram mais para a exposição de ideias que os candidatos vêm desenvolvendo em campanha eleitoral.

Para observadores atentos, a RTC podia ter adoptado um outro modelo de debate, cujo formato poderia suscitar mais confrontos entre os candidatos e a participação do público. Por isso, concluem que o mesmo não foi muito esclarecedor para os eleitores.

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