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Deixam carta aos filhos e fogem de LA após burla de $20 milhões ao fundo Covid — Similar ao desfalque no NHS com final trágico em SA 22 Novembro 2021

O julgamento no tribunal de Los Angeles fez-se ’in absentia’ e o juiz decidiu esta quinta-feira 18, condenar Richard Ayvazyan a 17 anos de prisão e a mulher Marietta Terabelianele a seis anos. Entretanto a polícia prossegue na busca pelo casal, que em prisão domiciliária a aguardar a sentença cortaram as pulseiras eletrónicas e fugiram, abandonando os três filhos menores.

Deixam carta aos filhos e fogem de LA após burla de  $20 milhões ao fundo Covid — Similar ao desfalque no NHS com final trágico em SA

O casal Richard Ayvazyan e a mulher Marietta Terabelian, de 43 e 37 anos, estava a ser monitorizado com pulseiras eletrónicas, que conseguiram cortar ao 3º mês da detenção domiciliária iniciada em junho. Colocaram-se em fuga e deixaram uma carta aos três filhos de 13, 15 e 16 anos que abandonaram.

"Estaremos novamente juntos um dia", prometeram na carta. "Isto não é um adeus, mas uma breve pausa entre nós".

Três meses depois da fuga, e cinco depois das acusações — de "roubo de vinte milhões USD" através de um esquema de fraude ao sistema de apoio da Covid-19 — que os levaram à prisão mitigada, o casal continua a monte.

A dupla acusada de conspiração para cometer fraude bancária, fraude eletrónica e lavagem de dinheiro montou um esquema fraudulento para obter 20 milhões de dólares (1,8 mil milhões CVE), através de fundos de apoio a pequenos empresários criados pelo governo durante a atual pandemia da Covid-19.

Usaram identidades falsas ou roubadas — incluindo nomes de pessoas mortas e estudantes de intercâmbio que visitaram os Estados Unidos há anos — para obter um total de 150 empréstimos do sistema.

O dinheiro do fundo Covid-19 foi para mansões em três cidades do sul da Califórnia, moedas de ouro, diamantes, móveis, relógios de luxo e uma Harley-Davidson.

Similar caso protagonizado por médico do NHS britânico

O caso é similar mas supera em dinheiro o desfalque do médico do HNS britânico, que fugiu com quatrocentas mil libras do sistema de saúde britânico e teve desfecho trágico em 2018 — bem longe do lugar do crime, a mais sete mil quilómetros. Um choque para a tranquila Ribeira Grande de Santo Antão.

As primeiras notícias em Cabo Verde deram conta de um caso de homicídio seguido de suicídio de um casal de turistas na cidade santantonense, conhecida localmente por Povoação (ou Puvas, na gíria). Mas eram vagas e imprecisas outras informações, a começar pela identidade das vítimas (Casal de turistas encontrado morto por disparos de arma de fogo em Santo Antão, 17.abr.018).

Foi duas semanas depois que a reportagem da BBC trouxe informações precisas sobre o casal de turistas formado pelo britânico Titus Bradley, de 42 anos, e a húngara Noemi Gergely, de 28 anos. Estiveram um ano em fuga (talvez sem ela saber). Os últimos três meses viveram-nos em São Vicente e os dois últimos dias em Santo Antão (Homicídio-suicídio em Santo Antão por médico que fugiu com 400 mil libras do SNS britânico,01.mai.018).

A mãe dele, Gail Seery, contou à polícia, segundo reporta a BBC, que não estranhou a longa ausência pelas ilhas mundo fora, porque o filho "era doido por pesca". Estava feliz com as chamadas dele, "muitas vezes neste último ano". Ele contou-lhe que estava a gerir uma empresa de pesca desportiva em São Vicente e vivia no iate em que recebia os aficionados por pesca desportiva. A última chamada foi na véspera do dia trágico. "Ele disse-me que tinha rompido com a Noemy, estava muito zangado com ela". Mas no dia seguinte, o derradeiro dia, o email diza que "estava tudo bem com ele, que nunca se tinha sentido melhor nos últimos tempos".

Bradley, médico cirurgião, viajou em abril de 2017 na companhia da sua namorada recente, Noemi, que conheceu como Relações Públicas de um clube em Londres. Ele era o prestigiado diretor do centro médico "Station Plaza Health Center", em Hastings, zona litoral a sul e distante 113 km de Londres. Também constava no corpo de diretores do "Bradley Jones Surgeries Ltd" em Manchester. Mas o desfalque só terá ocorrido no condado de Sussex, onde Bradley geria quatro unidades de cirurgia, segundo a polícia local.

Só algum tempo depois da sua saída, em abril de 2017, para umas três semanas de férias — ou segundo disse à mãe "para umas longas férias nas Ilhas Marianas", no Pacífico — é que Bradley começou a ter as contas sob investigação do Sistema Nacional de Saúde britânico. O desfalque de quatrocentas mil libras (520 milhões CVE) foi provado, segundo a BBC, mas só em março de 2018 a Ordem dos Médicos atuou suspendendo a inscrição de Bradley. Só após a notícia da morte, as duas empresas geridas por Bradley retiraram, a 27-04-2018, o seu nome do corpo de diretores.

Últimas mensagens. Entre os pertences do defunto foi encontrado um bilhete que abre com a citação "Chegou a hora de morrer/Time to die", extraída do filme de científica Blade Runner. Segue-se a descrição da arma que tem, um pedido de desculpas e a certeza de que "chegou o dia de pagar" pelos erros (além do roubo, a culpa pelo fim do casamento com a mãe dos seus dois filhos, após um "affair" de Bradley com uma colega de trabalho, de que resultou um filho).

A mãe referiu uma carta no seu depoimento. "Quando lhe perguntei porque é que não voltava ao Reino Unido, ele disse que ia escrever uma carta a explicar tudo. "Fiquei preocupada, mas no dia 15 de abril recebeu um email de Bradley a dizer que estava tudo bem com ele, que nunca se tinha sentido melhor nos últimos tempos". "Eu sabia que ele estava zangado com a Noemi mas nunca pensei que ele fosse capaz de a matar".

Um amigo ouvido pela BBC refere as últimas mensagens. "Bradley disse-me que tinha estado numas montanhas em Cabo Verde, tinha consigo a arma, mas que se acobardou. Lamentava-se por não ter conseguido".

Noutra mensagem, "ele disse que tinha vivido uma vida magnífica e tinha feito coisas boas, mas que lamentava os erros. Achei que ele estava a referir-se ao divórcio e separação dos filhos".

Fontes: CNN/LA Times/BBC. Fotos: Casal da Califórnia que burlou o sistema de saúde — fundo da Covid — em 20 milhões de dólares. O périplo no Atlântico e Pacífico do britânico que burlou o sistema de saúde em 400 mil libras.

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