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Deportada da Indonésia a matricida de Sheila von Wiese-Mack, celebridade académica, teme regresso aos EUA 30 Outubro 2021

Heather Mack é conhecida pelo "caso da assassinada na mala", em referência ao facto de ter saído do local do crime — um hotel de luxo em Bali — com o cadáver da mãe dentro duma mala, deixada num táxi. Sete anos depois, libertada "por bom comportamento" esta sexta-feira estará a chegar aos Estados Unidos, deportada da Indonésia onde cumpriu parte da pena de dez anos por cumplicidade no assassínio da mãe, Sheila von Wiese-Mack, uma celebridade académica de Chicago e viúva do músico James L. Mack.

Deportada da Indonésia a matricida de Sheila von Wiese-Mack, celebridade académica, teme regresso aos EUA

O "caso da assassinada na mala", ocorrido em agosto de 2014 numa luxuosa estância turística indonésia, teve grande cobertura mediática e levou à condenação em 2015 da adolescente Heather Mack e do namorado Tommy Schaefer, a dez e dezoito anos de prisão respetivamente.

A tragédia que teve lugar no hotel St Regis, na ilha indonésia de Bali, começou com uma discussão entre Tommy, de 21 anos, e Sheila, de 62 anos, que não gostou de saber que a filha de 18 anos estava grávida. A criança viria a nascer em fins de março de 2015 na prisão e aí viveu até 2017, quando foi entregue a uma família de acolhimento, à espera de Heather deixar a prisão.

Defesa? Os media dos Estados Unidos prognosticavam que ia ser aplicada a pena capital a ambos. Durante o julgamento, o principal acusado de homicídio e ocultação de cadáver alegou que "só [s]e tinha defendido durante a agressão" de Sheila e "nunca quis matar a mãe da Heather". A namorada apavorada tinha-se trancado na casa de banho enquanto os dois discutiam.

Heather foi condenada por cumplicidade ao ajudar a ocultar o crime e participar na saída do corpo dentro da mala.

Teme regresso a Chicago

"Sinto-me nervosa e com medo. Não é por mim. É pela minha filha". Ela sabe que não pode contar com os tios maternos, que diante das câmaras pediram "justiça para a nossa irmã". "Não espero que eles sejam compreensivos comigo, mas não posso expor a minha filha aos que me condenam".

"Fui exposta pelas câmaras em todo o mundo, não quero que o mesmo aconteça com a minha filha, farei tudo para evitar isso, mesmo deixá-la mais tempo com a família de acolhimento", expressou Heather Mack antes de ser libertada esta sexta-feira da prisão feminina de Kerobokan, em Bali, onde cumpriu sete anos (desde agosto de 2014).

Condenada a dez anos, teve em agosto a notícia de que — a pedido da defesa que requereu a sua libertação "por bom comportamento" — o presidente indonésio tinha autorizado que ela fosse libertada em outubro.

Celebridades

O músico e compositor James L. Mack, de 66 anos — que granjeou elevada posição no cenário musical de Chicago, nacional e internacional —, duas vezes divorciado e pai de cinco filhos, casou em 1996 com Sheila von Wiese-Mack, 22 anos mais nova e grande admiradora da obra do compositor que atuava tanto no jazz como na música clássica sinfónica.

Lee Heather Mack nasceu-lhes nesse mesmo ano, 1996. Em 2006, numa viagem da família de três à Grécia, James morreu em Atenas de uma embolia pulmonar.

A viúva continuou a divulgar a obra de James Mack, cujo valor de mercado aumentou nos anos seguintes. Mas a adolescência da filha trouxe-lhe muitos desgostos. "Quando conheceu Tommy, deixou de estudar e desaparecia de casa". "Até ir morar sozinha, pouco antes da viagem a Bali", segundo confidenciaram à imprensa pessoas conhecidas. Entre elas, March Bacharach disse à NBC News que "Tommy tinha grandes esperanças em abrir caminho como artista", mas que Sheila — que era respeitada enquanto estudiosa da obra do falecido marido — "não confiava nele".

Sheila von Wiese-Mack "era uma grande intelectual, muito respeitada na sua área [no domínio da ciência política] e na divulgação da obra de James. Mas não tinha pulso para a filha. Ela procurou consertar a relação estragada com a viagem a Bali e eu disse-lhe que era má ideia. Quem me dera que ela me tivesse ouvido", lamentou March Bacharach a enlutada amiga em 2014.

Fontes: AP/NBC News/NY Post/ Chicago Sun-Times... Fotos da família do músico James L. Mack cuja filha foi, em 2014, condenada pela morte da mãe. Infância feliz até aos nove anos quando morreu o pai, de 76 anos. A relação de Heather com a mãe ficou ainda mais complicada na adolescência.

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