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Desova das tartarugas em Cabo Verde: Biólogos sentinelas 11 Julho 2009

A época de desova das tartarugas está a mobilizar a atenção dos técnicos de “Natura-2000”, que já implantaram um acampamento na zona de Ervatão com o objectivo de proteger a vida desses animais marinhos, na ilha da Boa Vista. Desde o dia 17 de Junho, biólogos cabo-verdianos e espanhóis estão a montar vigilância nas regiões costeiras para identificarem os ninhos das tartarugas.

Segundo Helena Abélia, bióloga de “Natura-2000”, setenta e cinco pessoas, incluindo estudantes de biologia, concentram-se no acampamento de Ervatão dispostas a tudo fazer para dar protecção e segurança às tartarugas. “A zona de Ervatão costuma receber setenta por cento de toda a nidificação de tartarugas na ilha da Boa Vista. Estamos a vigiar esse perímetro para impedir que os animais sejam caçados. Ao mesmo tempo fazemos o controlo dos ninhos”, explica Helena Abélia, que perspectiva que o número de pessoas no acampamento de Ervatão venha a aumentar, nos próximos dias, para duas centenas. Isso, sem contar o segundo acampamento, a ser instalado na zona de Porto Ferreira, com o mesmo objectivo.

Apesar da atenção desses sentinelas, já foram registados casos de captura de tartarugas. Até ao momento ninguém foi detido mas, segundo Helena Abélia, esses animais continuam a ser perseguidos e mortos.

“A ilha da Boa Vista recebe quase noventa por cento das tartarugas que procuram este arquipélago para desova. Os dez por cento que restam são distribuidos pelas ilhas do Sal, Maio, Santiago e S. Vicente”, informa a bióloga, que se mostra particularmente preocupada com a destruição da biodiversidade da Boa Vista, devido à acção do homem. Aponta a construção de obras no litoral como um dos factores que têm contribuído para esse fenómeno. E, na sua perspectiva, a edificação do hotel Riu Lacacão,em obras neste momento, vai acabar por afectar a riqueza selvagem dessa região.

Com o início da nidificação em Junho, espera-se que os ovos comecem a eclodir no mês de Agosto e continuem até Dezembro. Doze mil ninhos já foram identificados este ano, oito mil dos quais em Ervatão, numa área de seis quilómetros.

Kim-Zé Brito

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