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Dia Internacional do Holocausto 28 Janeiro 2020

O Dia Internacional do Holocausto, 27 de janeiro, comemora desde 2005 as vítimas do Holocausto da Segunda Guerra Mundial, definido como o período em que os nazis perseguiram e exterminaram pelo menos 11 milhões de pessoas, das quais seis milhões eram judeus europeus.

Dia Internacional do Holocausto

A data instituída pela assembleia-geral da ONU, na sua quadragésima-segunda sessão plenária em 1 de novembro de 2005, está desde abril de 2019 a ser celebrada em vários países e em Jerusalém decorre há uma semana o "Fórum do Holocausto", com intervenções de académicos, líderes políticos, empresariais, entre outros, e em especial dos sobreviventes.

O papa Francisco na missa de domingo, 26, lembrou aos fiéis católicos que é preciso "rezar e refletir" sobre "a imensa tragédia, a atrocidade" do Holocausto e cada um jurar no seu íntimo que "Nunca mais. Nunca mais".

Holocausto: várias definições

O termo holocausto aparece pela primeira vez em português no séc. XIV na obra Milagres de Santiago. Significava "o sacrifício em que se queima a vítima inteira".
Os estudiosos estão divididos sobre se o termo Holocausto deve ser aplicado a todas as vítimas do genocídio de judeus, como um sinónimo de Shoah ou Solução Final da Questão Judaica, ou se o termo deve abranger o genocídio de outros grupos étnicos — ciganos, polacos... —, as mortes de prisioneiros de guerra soviéticos, eslavos, deficientes, homossexuais, testemunhas de Jeová, entre outros.

A inclusão de vítimas não-judias no termo "Holocausto" é contestada por individualidades judias como Elie Wiesel e por organizações como a Yad Vashem, criada para homenagear as vítimas do Holocausto. O argumento é que a palavra foi originalmente concebida para descrever o extermínio dos judeus e que "o Holocausto judeu foi um crime em uma escala tal, e de tal totalidade e especificidade, como a culminação da longa história do antissemitismo europeu, que não deve ser incluído em uma categoria geral com todos os outros crimes cometidos pelos nazis".

Pelo menos 5 milhões de não-judeus

Além dos grupos supra referidos, há africanos que no período entre 1933 e 1945 foram sujeitos a processos de esterilização, experimentos médicos, isolamento e segregação, prisão, violência e assassinatos. Estudos recuperam a memória de africanos-americanos detidos em campos de concentração de vários países da Europa ocupados pelos nazis durante a Segunda Guerra, como a cantora de jazz Valaida Snow, o artista Josef Nassy, prisioneiro no Beverloo Transit Camp, da Bélgica, depois transferido para a Alemanha onde passou do Laufen internment camp para Tittmoning, na Alta Bavária.

Embora sem a amplitude do genocídio sistemático de outros grupos, a História regista que a segregação racial foi instituída pelo Reichstag, parlamento da Alemanha, através de leis que começaram a surgir após a Alemanha ter perdido as suas colónias de África para os Aliados vitoriosos na Primeira Grande Guerra.

A propaganda contra os negros na Alemanha esteve muito ativa entre 1919 e 1945. Primeiro foi direcionada aos soldados negros franceses que a propaganda descrevia como violadores de alemãs e portadores de doenças venéreas e outras. Os filhos dos casamentos mistos entre alemãs e soldados negros eram designados "Bastardos do Reno", que os nazis, movimento político em ascensão, apontavam como uma "ameaça à pureza da raça alemã". No seu livro Mein Kampf, Hitler escreve que "os judeus trouxeram os negros , com o objetivo evidente de arruinar a odiada raça branca através da bastardização".

Os mulatos eram marginalizados na sociedade alemã, isolados a nível social e económico e proibidos de prosseguir estudos universitários. A ascensão nazi ao poder fez aumentar a discriminação e foram votadas novas leis para obrigar à esterilização desse segmento da população, através da atuação da Gestapo (a polícia secreta repressiva).O número de vítimas de experimentações médicas ainda não foi apurado, nem tão-pouco os que misteriosamente desapareceram após tais atos médicos.

Os Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, com a participação de 18 atletas negros, deram ao regime de Hitler uma oportunidade para propagandear a sua alegada natureza "não-racista".

Os prisioneiros de guerra aliados eram amontoados em campos de concentração, mas destaca-se a violação das convenções de Genebra que vitimaram soldados negros franceses, ingleses, americanos. Muitos destes morreram a fazer trabalho forçado, Outros foram liminarmente liquidados pelas SS, Gestapo.
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Fontes: DW.de/BBC/ Jerusalém Post/Haaretz/históricas. Fotos (Getty): A inscrição Arbeit macht frei (o trabalho liberta) está presente em muitos campos de concentração nazis. Prisioneiros ocupados em trabalho forçado.

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