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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Dia Mundial da Música: Que é Cabo Verde sem música? 01 Outubro 2021

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Música, instituído em 1975 no âmbito da UNESCO-Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
A sua missão é promover a arte musical em todos os setores da sociedade, divulgar a diversidade musical, com o objetivo de contribuir para a paz e amizade entre as pessoas, a evolução das culturas e a troca de experiências.

O génio do cabo-verdiano expressa-se na música, escreveu o ’pai’ do Chiquinho. Em todas as horas, na alegria e na tristeza, canta Ildo Lobo este Cabo Verde terra musical. Como que a responder à questão do título.

Que é Cabo Verde sem música? Releia-se este testemunho, emocionante:

"Como eu gostava da minha noite de chiquita, até que a viuvez me enterrou a alegria". A "noite de chiquita" para designar os bailes, que outrora começavam à tarde e podiam prolongar-se até tarde na manhã nascente, em ambiente muito familiar (de respeito, dizia-se), entrou no vocabulário de família talvez vindo da Bonizar, escala numa das viagens do pai dela, que andara pelas Américas, a pobre e a rica.

A viúva deixada com cinco órfãozinhos em anos de carestia, devido às secas prolongadas agravadas com "a guerra que oxalá o Hitler não ganhe", tivera de aprender a "socar a fome".

Por isso, acreditava ter merecido o céu. Tinha todavia a clarividência de que, como filha de Eva pecadora, mesmo com a remissão dada por Jesus, ainda teria de fazer a sua passagem pela Ribeira da Purificação.

Acreditar é ter esperança neste país qualificado verde, onde o adjetivo ainda não se aglutinou com o nome. Esperança que nos acompanha desde sempre, desde antes de existirmos, desde antes do mito, Desde antes dos sete anos de fartura seguidos dos sete anos de fome e assim sucessivamente, entre esplendor e decadência.

Até à esperança de um último baile "irei marcando o compasso", ali "deitada no meu último fato de pinspanha’. Longe pois de visar a imortalidade faraónica — dos faraós mais antigos de tronco negro até aos derradeiros mestiçados por força de Alexandres invasores ou noivas cativas —, esta avoenga teve no final dos anos de 1950 o enterro que quis. A derradeira música saída do violino do Travadinha. Fim de citação. Longe do fim está o mural de celebração da música na rampa (foto).

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