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Dia Mundial da Poesia: Escritores advogam mais trabalho no universo de poesias nas escolas 22 Mar�o 2022

Os escritores cabo-verdianos Vera Duarte e Danny Spínola defendem mais trabalho no universo de poesias no ensino, devido à sua importância no processo criativo e desenvolvimento do intelecto individual.

Dia Mundial da Poesia: Escritores advogam mais trabalho no universo de poesias nas escolas

A poetisa Vera Duarte e o poeta Daniel Spínola – de pseudónimo literário “Danny Spínola”, teceram estas considerações em entrevista à Inforpress, a propósito do Dia Mundial da Poesia que se celebra anualmente a 21 de Março, data criada na 30ª Conferência Geral da Unesco em Novembro de 1999.

Segundo Vera Duarte, tem vindo a surgir no panorama literário cabo-verdiano nomes e novas vozes ligadas à poesia, não obstante as gerações passadas que estão na academia cabo-verdiana de letra, “os imortais”, conforme os caracterizou, há nomes que tem publicado, tendo exemplificado Arménio Vieira, primeiro escritor cabo-verdiano a vencer o Prémio Camões, alta distinção no plano literário do mundo lusófono, de entre outros residentes e na diáspora.

“Posso dizer que tem havido, não com muita exuberância, publicação de poesia por parte de uma camada jovem, tem havido um trabalho interessante até no aspecto de abertura da literatura e da poesia à voz feminina (…). Há vozes lá fora como Helena Sato, no Brasil, Carlota de Barros, em Portugal, Glória Sofia, na Holanda (…)”, pontuou a poetisa que viu sua primeira obra “Amanhã Amadrugada” publicada em 1993.

Contudo, acrescentou, há vozes que vão surgindo aqui dentro do País, com poemas em língua cabo-verdiana bem como na língua portuguesa, embora, reforçou, “sem grandes manifestações”, mas nota-se um crescimento contínuo do gosto pela poesia.

A autora, que diz ter disponibilizado no mercado literário 15 títulos, sendo a maioria de poesias, descreveu que a poesia cabo-verdiana teve seu início “lá atrás” com a influência de Portugal num primeiro momento e só depois do Brasil.

Chegando a altura de independência, prosseguiu, começaram a chegar outras e novas influências que hoje pode-se dizer que este campo literário cabo-verdiano se caracteriza por múltiplas influências e múltiplos estilos, nomeadamente dos clássicos, surrealistas franceses, poesia africana contemporânea.

Por isso, existe actualmente, conforme identifica a escritora, uma abertura muito grande dos poetas cabo-verdianos aos mais diversos estilos e as mais diversas influências e cada vez mais um acentuado caminho para escrever uma poesia em língua cabo-verdiana.

No entanto, afiançou que poetas escrevem e devem escrever consoante o chegar da sua inspiração, ou seja, se chega em crioulo, escreve em crioulo, se for em português escreve em português e assim sucessivamente, tendo defendido a necessidade de haver cada vez mais poesias nas escolas, começar desde cedo a incentivar as crianças a lerem, a decorarem poemas para depois declamar nas suas aulas, e instituir cursos de poesia a todos os níveis.

Danny Spínola fala, por conseguinte, de um cenário “muito positivo”, justificado pelas muitas publicações que se tem observado, tendo ressalvado que nem todas são “grandes poesias”, mas reconhece que “é o caminho, o necessário percurso a ser feito”.

Em contrapartida, o poeta tem notado publicações de alguns grandes poetas e novos poetas que publicam cada vez mais, pelo que, prevê um cenário “muito promissor” para o futuro da poesia, dos escritores e autores do ramo.

Entretanto, Danny Spínola que é também pintor, com uma prática de exposições que engloba tanto lançamento das suas pinturas como de livros ao mesmo tempo, num conceito designado de “Xposições”, prognosticou que o futuro da poesia em Cabo Verde vai acontecer natural, próprio da dinâmica dos escritores e da consistência nas publicações.

“Há pessoas que às vezes publicam, depois passam um tempo sem publicar, mas há muita vontade no seio dos jovens em publicar poemas e evidentemente que é possível ainda algum percurso para serem considerados poetas, mas já é um caminho que leva ao futuro”, precisou.

“Existe algum défice em termos de poesia não só no ensino, mas também na comunicação social”, considerou o escritor que iniciou com publicações nas revistas e nos jornais, a partir de 1986, para só depois em 1991 lançar, simultaneamente, duas obras “Lágrimas de bronze” e “No cantar do sol”.

“Considero que deve haver mais lançamento de livro, de forma mais aprofundada, e também levar mais escritores e pessoas que publicam para rádio e televisão para falarem mais sobre seu trabalho e também para as escolas, tem que ter alguma dinâmica na promoção de poesia no seio dos alunos, principalmente estimular o gosto pela leitura que é o que não há”, mencionou Danny Spínola.

A comunicação social, reforçou o escritor, deveria dar mais cobertura ao trabalho dos escritores, às feiras e atividades afins que estimulam o hábito de leitura.

O Dia Mundial da Poesia comemora a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação.

A data visa a importância da reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades de cada pessoa.

A Semana com Inforpress

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