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Diáspora "criola" há 50 anos que presenteia creme que derrubou presidente de Madrid 27 Abril 2018

O vídeo da tentativa de roubo num supermercado foi a gota decisiva para o derrube da presidente do Governo regional de Madrid. Objeto da perdição de Cristina Cifuentes: dois potinhos de creme rejuvenescedor. O mesmo que é constante contraparte/resposta à "encomenda de terra" no mercado afetivo da "sodad" diasporizada.

Diáspora

A história do furto conta-se aqui pela sua exemplaridade como lição moral, que alerta sobre os pequenos erros que podem ter enormes consequências.

Esta quarta-feira 25, do 44º ano da Revolução dos Cravos prometedora de democracia e descolonização no mundo que fala português, algo de devastador sucedia à política Cristina Cifuentes, do Partido Popular, que desde há um mês enfrentava uma moção de censura apresentada pelo PSOE com o apoio do Podemos, demitiu-se do cargo de presidente (presidenta, na terminologia espanhola) da Comunidade de Madrid e do setor regional do partido no poder.

Um furto de há sete anos veio à tona, através de um vídeo divulgado num diário madrileno, o eldiario.es. Vê-se o que parece ser uma ladrazinha apanhada em flagrante pelo segurança duma loja. Até dá pena a quem visualizou e se perguntou: Será que sofre da doença descrita como cleptomania? Uma doença do foro psicológico que leva alguém a roubar compulsivamente, porque em geral o ladrão/ladra é alguém que tem poder de compra.

A protagonista do furto era a então vice-presidente da Assembleia da Comunidade de Madrid. O caso deu-se em 2011 e porque, segundo ela, o vídeo foi uma tentativa de extorsão, deve vir a correr muita água /tinta sobre isso até que se esclareça (ou não, como a experiência dos leitores desmemoriados mostra).

"Tentativa de extorsão" disse ela. Falta saber como se saiu então para que pudesse chegar à presidência. Teria a vice-presidente da Assembleia da Comunidade de Madrid pago, como e a quem, para abafar o caso? Numa sociedade democrática, séria, tudo seria averiguado para que o crime de extorsão também não ficasse impune.

Sete anos depois, caiu a presidente da Comunidade de Madrid, que — após resistir às revelações sobre as irregularidades do seu mestrado em ’Direito Público do Estado Autonómico’, com certificado de ’Trabalho de Conclusão do Mestrado’ falsificado — não resistiu, neste 25 de abril, à divulgação do vídeo.

“Este vídeo obedece a uma situação de um erro involuntário. Levei por engano, e de forma involuntária, alguns produtos de 40 euros (4400CVE). Deram-me os produtos na saída e paguei”, afirmou Cifuentes antes de anunciar a sua demissão.

“Dou um passo atrás para que a esquerda não governe”, declarou a presidente ao abandonar o cargo. “A resistência das pessoas tem um limite. E atingi-o. Saio de cabeça erguida, com um sentimento amargo, mas muito satisfeita. Acredito que fizemos um bom trabalho.”

Creme rejuvenescedor chegou a Espanha em 2003. Há mais de 50 anos presente da diáspora "criola"

O "Regenerist de Olay" que causou a desgraça da presidente da Comunidade de Madrid só chegou à Espanha em 2003, segundo o "El Mundo".

Mas desde os anos de 1960-1970 que entrou na história da nossa diáspora em França. A contraparte da "encomenda da terra", em geral feita para mimar as papilas gustativas, eram os potinhos de creme Olay.

Um cosmético "cuja fórmula contém péptidos, moléculas de aminoácidos que ajudam a pele a produzir substâncias como o colágeno e a elastina", necessários para reverter a perda de elasticidade e firmeza que "provoca rugas", diz a marca.

Os quase sessenta anos de sucesso da Olay aí estão a provar que as consumidoras acreditam nessa promessa de rejuvenescimento. Sofre o bolso, sofrem a carreira e a reputação? Isso é outra história.

Fontes: El País/El Diário.es(Foto de Cristina Cifuentes ao anunciar a demissão)

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