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Direcção da Frescomar aponta conserva de peixes como um dos produtos prioritários para livre comércio africano 17 Janeiro 2021

O director comercial da Frescomar acredita que a conserva de peixes poderá ser considerada um dos produtos prioritários de Cabo Verde para a comercialização na zona de livre comércio africana e levar proteína para o interior do continente.

Direcção da Frescomar aponta conserva de peixes como um dos produtos prioritários para livre comércio africano

Conforme Miguel Pinto, em entrevista à Inforpress, a empresa de transformação de pescado, sediada em São Vicente, já tem alguma exportação “não tão regular quanto o desejável” para a Guiné-Bissau e Angola, mas que poderá ser incrementado com o acordo de livre comércio africano, que entrou em vigor a 01 de Janeiro último.

Para Miguel Pinto, que diz que a Frescomar já tinha lançado o repto há cerca de dois anos, o Governo deve avaliar os produtos considerados prioritários para entrar nessas regiões porque, considerou, “uma coisa é produzir para 800 mil e outra para 800 milhões”.

“É preciso encarar as coisas e saber o que queremos fazer e apostar em determinados produtos com que conseguiremos atingir determinados objectivos e pensar nas áreas estratégias”, sustentou o responsável, para quem a conserva de peixes pode ser considerada um dos produtos prioritários, por ser uma forma de levar proteína animal ao interior do continente africano.

Isto porque, sustentou, em determinadas regiões de África só é possível chegar este produto perecível em conservas ou seco, devido a dificuldades várias, entre as quais conservação e refrigeração.

Por isso, segundo a mesma fonte, a implementação do acordo seria “muito bom”, tendo em conta que neste momento qualquer transacção entre Cabo Verde e países africanos paga-se cerca de 30 por cento, algo considerado um “entrave enorme” para as indústrias.

“Permitindo uma zona de livre comércio continental africana, primeiro as próprias pessoas têm a hipótese de recorrer a produtos mais económicos e mais diversificados e não depender nem de produtos orientais, europeus ou da América Latina”, reiterou.

“Para não falar de um mercado enorme em termos populacionais”, completou Miguel Pinto, adiantando que a Frescomar e Cabo Verde podem tirar vantagens deste acordo, que levará o seu tempo a ser implementado, mas que poderá efectivar em dois ou três anos e permitir produção em escala.

“Nós sabemos fazer, os produtos que produzimos são bons, adoptamos regras sanitárias as mais restritas que existem, portanto, estamos preparadíssimos para essa concorrência”, considerou o gestor, para quem o Ministério da Indústria e Comércio deve estar em cima do assunto para também, juntamente com as finanças, rever as pautas fiscais e efectivar o acordo “tão urgente quanto possível”.

A Frescomar é uma sociedade anónima cabo-verdiano-espanhola que obteve certificado de empresa franca em Abril de 1997 para se dedicar à prática da transformação do pescado e sua comercialização, tendo a Europa como principal mercado.

Actualmente estão empregados na unidade do Lazareto cerca 1.700 pessoas.

O acordo de trocas comerciais continental arrancou oficialmente no dia 01 de Janeiro culminando um período de mais de cinco anos de negociações para reduzir ou eliminar as tarifas alfandegárias entre os países africanos, num contexto de tensões comerciais em várias partes do mundo, nomeadamente na Europa, onde o Reino Unido saiu da União Europeia e foi implementado um acordo comercial pós-Bréxit.

Dos 55 países africanos só não foi assinado pela Eritreia e pretende eliminar ou reduzir as tarifas alfandegárias na maior parte dos bens, facilitar o movimento de pessoas e de capital, promover o investimento no continente e preparar o estabelecimento de uma união aduaneira no continente, esperando-se que esteja completamente operacional em 2030, tornando a região na maior zona de comércio livre do mundo.

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