A Berlinale — o Festival de Cinema de Berlim que decorreu entre o dia 20 de fevereiro e o primeiro de março — distinguiu com o prémio máximo o “There Is No Evil”, que se apresenta como um filme contra a pena de morte e sobre a resistência à opressão.
O prémio foi recebido por um representante de Mohammad Rasoulof que está impedido de viajar. “A imposição de tais restrições evidencia claramente a natureza intolerante e despótica do governo iraniano”, declarou o realizador em comunicado.
Rasoulof já foi várias vezes censurado pelo regime iraniano e preso. A sua mais recente condenação, em 2019, foi por causa do filme “Um homem íntegro”. Censurado por “propaganda contra o regime” e “atentado à segurança do país”, o realizador cumpriu um ano de prisão.
Do seu filme agora premiado, o realizador diz que “aborda o consentimento da responsabilidade humana pelos cidadãos de um regime despótico. A questão que coloca é: Quando se vive numa ditadura e se é obrigado a tomar uma decisão, até onde estamos dispostos a aceitar a responsabilidade dessa decisão? Ou será que a rejeitamos e a atribuímos à estrutura autoritária do país que nos empurra para essa tomada de decisão?”
Mohammad Rasoulof diz que, apesar de todas as restrições a que está sujeito, vai continuar a filmar: "Não têm o direito de me privar da criação artística nem de criar situações que me impeçam de o fazer. Faço o melhor para desfrutar dos meus direitos humanos. É o que tenho feito e o que vou continuar".
O júri deste ano teve o ator Jeremy Irons a presidir, os cineastas Kleber Mendonça Filho, do Brasil, Annemarie Jacir, da Palestina, e Kenneth Lonergan, dos Estados Unidos, a atriz argentina Bérénice Bejo, o ator italiano Luca Marinelli e a produtora alemã Bettina Brokemper.
Premiados:
- Urso de Ouro: There Is No Evil, de Mohammad Rasoulof.
- Grande Prémio do Júri: Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman.
- Realização: Hong Sangsoo por The Woman Who Ran.
- Atriz: Paula Beer, por Undine, de Christian Petzold.
- Ator: Elio Germano, por Volevo nascondermi, de Giorgio Diritti.
- Argumento: Fabio e Damiano d’Innocenzo, por Favolacce.
- Contribuição artística: Jürgen Jürges, pela fotografia de DAU.Natasha, de Ilya Khrzhanovsky e Jekaterina Oertel.
- Urso de Ouro especial do 70.º aniversário: Effacer l’historique, de Benoît Delépine e Gustave Kervern.
Encontros
- Melhor filme – The Works and Days (orig. Tayoko Shiojiri in the Shiotani Basin), de C. W. Winters e Anders Edström.
- Prémio especial do júri – The Trouble with Being Born, de Sandra Wollner.
- Melhor realizador – Cristi Puiu, por Malmkrog.
Documentário
- Irradiés, de Rithy Panh.
Primeira obra
- Los Conductos, de Camilo Restrepo
Curtas-metragens
- Urso de Ouro – T, de Keisha Rae Witherspoon.
Fontes: Site da Berlinale/DW.de. Foto(DW.de).
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