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Distribuição de dinheiro nas vésperas de eleições sobe à plenária da Assembleia Nacional 28 Outubro 2021

A questão da distribuição de dinheiro nas vésperas das eleições em Cabo Verde voltou a subir à plenária da Assembleia Nacional, com os sujeitos parlamentares a admitirem que o fenómeno poderá pôr em causa democracia cabo-verdiana.

Distribuição de dinheiro nas vésperas de eleições sobe à plenária da Assembleia Nacional

O assunto foi introduzido pelo grupo parlamentar do PAICV, atarv+es do deputado Rui Semedo, numa declaração política sobre as eleições presidenciais de 17 de Outubro, durante a qual falou dos aspectos positivos e negativos que marcaram mais este pleito eleitoral.

Rui Semedo referiu que as últimas eleições presidenciais foram “as mais concorridas”, com sete candidatos, e que demonstrou a “maturidade” dos eleitorado cabo-verdianos “pelo civismo, disciplina, participação ordeira e escolha responsável”.

“A forma como o acto eleitoral de 17 de Outubro decorreu, sem surpresa, mereceu os maiores elogios da comunidade internacional, principalmente através dos observadores eleitorais que acompanharam e seguiram, in loco, as operações eleitorais”, disse adiantando, entretanto, que a mesma “padece de falhas” e “se não forem colmatadas podem pôr em causa eleições livres justas e transparentes”.

Para além da já denunciada “utilização dos meios públicos em campanha eleitoral” e do “forte envolvimento” do Governo e gestores públicos nas acções de campanha, o líder do grupo parlamentar do partido que apoiou o candidato vencedor, denunciou outras movimentações para condicionar o voto dos eleitores, com destaque para “a distribuição de dinheiro e compra de bilhetes e de identidade” nas vésperas das eleições.

Reações do MpD e da UCID

“Fala-se de uma circulação anormal de dinheiro nas vésperas e no dia das eleições, que funciona para pagar para votar ou ainda para reter os documentos e impedir as pessoas de votarem. Estas práticas foram notificadas até por personalidades independentes, que não faziam sequer ideia, de que isso era possível no nosso imaculado processo eleitoral”, apontou.

Trata-se, segundo Rui Semedo, de uma situação que poderá pôr em causa a democracia cabo-verdiana, pelo que defende a necessidade de se encontrar os “antídotos para salvar a democracia cabo-verdiana”, que, na sua perspectiva, “tem tudo para integrar o grupo das dez mais bem qualificadas no mundo”.

Numa primeira reacção à declaração política do PAICV, o deputado do MpD Luís Carlos Silva disse que há um tempo para tudo e pediu aos partidos que deixem cair a tensão eleitoral e focar nos problemas “reais e enormes” que o País tem pela frente.

Entretanto, a questão da distribuição de dinheiro e compra de bilhetes de identidade foi retomada pelo deputado da UCID, António Monteiro, que confirmou que “de facto essa prática existe em Cabo Verde” e “aconteceu nas últimas presidenciais”.

“Aqui em São Vicente, por exemplo, nós temos informações, e inclusive há fotos e há situações muito caricatas que aconteceram na zona de Pedra Rolada onde havia pessoas dentro das viaturas a comprarem os bilhetes e a impedir que as pessoas fossem votar. E não foi a candidatura de Carlos Veiga que fez isso”, garantiu, numa alusão à candidatura apoiada pela UCID.

Ao usar da palavra o deputado do MpD Emanuel Barbosa disse que o PAICV está a querer aproveitar a oportunidade para “tentar dar volta àquilo que é as suas práticas,” sublinhado que Rui Semedo “conhece muito bem” quem é “o especialista” do seu partido em comprar bilhetes de identidade.

Salvar a democraia em Cabo Verde

Entretanto, Rui Semedo, assegurando que ele mesmo não faz essa prática, sustentou que independentemente de quem a faz, “é um erro e uma falha da democracia” cabo-verdiana que “precisa ser corrigida”.

“Não podemos só ver se é o partido A, se é candidato B ou a candidatura C. Se alguém do meu partido fizer isso está cometendo um erro e deve ser identificado, denunciado e punido. E alguém dos outros partidos que estão a fazer isso devem ser denunciados e punidos”, sublinhou.

Rui Semedo explicou que com a sua declaração política quis dizer que “esta prática existe” e que partidos e os sujeitos políticos devem tomar as medidas para as ultrapassar e contribuir para uma democracia mais saudável.

“Eu disse para salvarmos a nossa democracia. Para termos uma democracia plena, séria e reconhecida devemos todos sermos pedagógicos e dar a nossa contribuição para que os cidadãos sejam livres no exercício dos seus direitos”, sublinhou. A Semana com Inforpress

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