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Donativos recebidos por Cabo Verde caíram 40% até abril 29 Junho 2021

Os donativos recebidos por Cabo Verde caíram praticamente 40% nos primeiros quatro meses do ano, face a 2020, para 461,7 milhões de escudos (4,1 milhões de euros), indicam dados do Ministério das Finanças consultados hoje pela Lusa.

Donativos recebidos por Cabo Verde caíram 40% até abril

De acordo com um relatório sobre a execução orçamental de janeiro a abril, esse desempenho compara com os 766 milhões de escudos (quase sete milhões de euros) em transferências recebidas por Cabo Verde no mesmo período de 2020.

Trata-se de uma quebra de 39,8% em termos homólogos, que compara com o período anterior aos efeitos internacionais da pandemia de covid-19.

Em causa estão transferências para Cabo Verde feitas por governos estrangeiros em ajuda orçamental, alimentar e de donativos diretos, mas também por parte de organizações internacionais e das administrações públicas.

De janeiro a abril de 2021, Cabo Verde recebeu apenas 11,4% dos 4.050 milhões de escudos (36,6 milhões de euros) que o Governo orçamentou como previsão para todo o ano.

A Lusa noticiou anteriormente que Cabo Verde garantiu pouco mais de 60% das transferências em donativos de governos estrangeiros e instituições internacionais com que contava em 2020, totalizando 47 milhões de euros, uma quebra de 16,3% face a 2019.

De acordo com dados anteriores do Ministério das Finanças, o país recebeu em 2018, com transferências de donativos internacionais, 2.575 milhões de escudos (23,2 milhões de euros), valor que disparou para 6.238 milhões de escudos (56,4 milhões de euros) em 2019.

Em 2020, esse valor caiu para 5.224 milhões de escudos (47,2 milhões de euros), segundo o mesmo relatório do Ministério das Finanças, que refere tratar-se de uma taxa de execução de 61%.

O Governo cabo-verdiano previa arrecadar 8.559 milhões de escudos (77,3 milhões de euros) com estes donativos em 2020, admitindo já os efeitos da pandemia de covid-19 e do contexto internacional.

Um relatório de abril do Banco de Cabo Verde refere que “pese embora a mobilização dos parceiros multilaterais do país, que resultou no aumento da ajuda orçamental a fundo perdido em 14%”, os desembolsos de donativos “foram insuficientes para compensar a queda das receitas fiscais”.

O banco central acrescenta que a quebra de 16,3% nos donativos recebidos em 2020, implicou que os donativos internacionais passaram a financiar apenas 9,6% das despesas orçamentais, quando em 2019 garantiam 11,6% do total.

Os donativos internacionais a Cabo Verde deverão cair para metade em 2021, segundo previsão que consta do Orçamento do Estado, rondando os 4.050 milhões de escudos (36,6 milhões de euros), registo semelhante ao de há praticamente dez anos.

Governo reconhece mesmo que, devido à pandemia de covid-19 e à sua evolução ainda incerta, a proposta de Orçamento do Estado para 2021 fica marcada pela "incerteza" nas receitas próprias e pela "diminuição de donativos".

Estes donativos e ajuda orçamental visam essencialmente apoiar programas de reforço de saúde primária e educação, criação de emprego, formação profissional, apoio ao setor informal e a implementação de programas de reforço do rendimento das famílias, face aos impactos da covid-19 no arquipélago.

A Semana/Lusa

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