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Drama shakespeariano em Angola? — Para bem entender: ‘Hamlet’ só honrou o quarto mandamento 04 Junho 2019

A leitura bem escolhida e processada reflete-se na vivência quotidiana. Quantas vezes uma boa decisão é baseada na experiência de outros que o leitor soube ler e mobilizar para resolver um problema prático? Também a leitura pode ser um manancial de expressões suficientemente poderosas para dizer muito em poucas palavras. Todavia por vezes pode a escolha não ser a mais adequada e …tem-se o efeito contrário ao desejado.

Drama shakespeariano em Angola? — Para bem entender: ‘Hamlet’ só honrou o quarto mandamento

Antes do drama, a tragédia

Matar o pai é um erro, alertou o político português em Angola (https://www.asemana.publ.cv/?Em-Angola-para-exequias-de-Savimbi-Joao-Soares-alerta-contra-tentacao-de-matar3.6.2019).

Matar o pai, expressão consagrada e cada vez mais utilizada na comunicação política, em que os ciclos são cada vez mais curtos. Quem entra no sistema faz tábua rasa do que encontrou porque tem um prazo muito curto para aí deixar a sua marca. E quantas vezes se cumpre o ditado "A pressa é inimiga da perfeição"!

A referência a Shakespeare precisa, pois, de um maior esclarecimento. Na tragédia Hamlet escrita mais de trezentos anos antes de Freud delimitar o compexo de Édipo… não há pai a matar, mas sim a vingar.

E antes da ciência, o mito. Esta a matéria base para Sófocles, dramaturgo da Grécia Antiga, exercer o seu magistério, por meio da tragédia.

Esta arte maior que nos ensina a piedade — obediência aos mais velhos na família e na sociedade organizada – tinha de recorrer aos motivos mais fortes para explicar que o ser humano nada pode contra o que está determinado. Por quem? Pelos deuses, em que os antepassados se transformaram, será a resposta mais simples.

O mito é metáfora e símbolo e foi como tal que o médico Freud o usou para dar conta de algumas descobertas que fez na sua prática clínica. Na Viena da Belle Époque, os seus clientes burgueses sofriam os dramas existenciais — próprios de quem tem satisfeitas as necessidades básicas (a casa, o pão, a saúde física).

Um drama shakespeariano?

A ação desenvolve-se rápida, Hamlet é um jovem adulto que regressa à Dinamarca, vindo da Universidade em Inglaterrra. É o dever filial que move Hamlet, já homem feito e não mais o rapazinho – descrito pelo médico Freud já no século XX – que enquanto criança tem de ultrapassar o desafio que o pai representa. Matar simbolicamente o pai dá o direito a ter o seu lugar no mundo, eis a prova que o rapazinho tem de vencer para crescer.

Hamlet encontra o pai morto, a mãe já casada com o cunhado.

Fica perturbado? Mas a sua ação só resulta do encontro com o fantasma do pai que o informa que foi o próprio irmão que o matou.

A confirmação chega-lhe de manhã quando ouve o próprio tio a confessar-se. Obteve o que quis — trono, ambição satisfeita e a mulher do irmão — mesmo se está certo de que pode ter perdido a alma por isso.

O pai só terá descanso quando for vingado. E o ‘Hamlet shakespeariano’ honrou o quarto mandamento.


Um drama freudiano?

É o rapazinho – descrito pelo médico Freud já no século XX – que enquanto criança tem de ultrapassar o desafio que o pai representa. Matar simbolicamente o pai dá o direito a ter o seu lugar no mundo, eis a prova que o rapazinho tem de vencer para crescer, conclui a fonte deste jornal.

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