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União Europeia em despiques: “A Itália não respeita a palavra dada”, diz Juncker e Salvini replica: “Antes de nos insultar, olhe o seu paraíso fiscal” 13 Outubro 2018

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em entrevista, esta sexta-feira, 12, ao jornal Le Monde, apelou à Itália para "respeitar as regras, a fim de não pôr em perigo a solidariedade europeia". A resposta do vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini veio dura: “Juncker, pense no seu paraíso fiscal, no Luxemburgo, antes de de insultar os italianos e o seu governo legítimo".

União Europeia  em despiques: “A Itália não respeita a palavra dada”, diz Juncker e Salvini replica:  “Antes de nos insultar, olhe o seu paraíso fiscal”

Juncker está agastado com a falta de palavra do atual governo: "O governo anterior tinha-se comprometido com um défice de 0,8% do PIB em 2019, o novo elevou-o para 2,4% ", destacou Juncker.

Em reação às declarações pouco simpáticas de Salvini, o ministro do Interior — que no dia 3 acusou Juncker e Moscovici, o comissário europeu das Finanças, de "insensibilidade" que pode "destruir a Europa e já arruinou a Itália"—, o presidente da CE diz: "Não tenho nada contra a Itália, muito pelo contrário: eu a amo. Que deixem de nos descrever como monstros frios, protegidos num bunker e insensíveis ao apelo dos povos".

"As autoridades italianas são livres nas suas escolhas. No entanto, devem respeitar as regras para não pôr em perigo a solidariedade europeia", explicou Juncker.

O respeito mútuo anda pelas ruas da amargura entre os representantes das instituições e nações europeias. O vice-primeiro-ministro italiano Luigi di Maio dá o tom e o ministro, Matteo Salvini não tem hesitado em recorrer a insultos baixos, como "Só falo com pessoas sóbrias", na hora em que o presidente da CE tenta pôr ordem na economia.

Os deputados do M5S, o partido da coligação no poder, alinham pelo mesmo diapasão de Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga: "Lamentamos que uma instituição que representa mais de 500 milhões de cidadãos europeus seja tão indigna de certos números. O facto de nem sequer conhecerem as regras, que devem aplicar, evidencia em que mãos caiu o Governo da União Europeia", disse um porta-voz do grupo de Luigi di Maio.

"Não há escândalo"


A Itália por inteiro não afina pela mesma toada e o travão às picardias veio do Banco Central italiano. Ignazio Visco, governador do Banco da Itália obtempera: "Há interesse, há atenção, mas não há preocupação" sobre as políticas orçamentais, já que "o problema da Itália é o baixo crescimento".

Mesmo o ministro italiano da Economia, Giovanni Tria, minimiza, no que diz respeito aos procedimentos de avaliação em Itália: "Tudo isto ocorre inteiramente dentro do quadro jurídico europeu, pelo que não há escândalo".

FMI: manobra contrária às nossas indicações

Esta sexta-feira, 12, na reunião do Banco Mundial e do Fundo monetário que decorre até o fim desta semana em Bali, Indonésia chegou outra advertência: a Itália deve respeitar as regras da União Europeia para o orçamento de 2019 e construir uma reserva de liquidez para amortecer a próxima crise económica.

Poul Thomsen, chefe do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional, disse em conferência de imprensa: “O alívio fiscal de tal magnitude praticado em Itália nas circunstâncias atuais não está correto".

A manobra económica, em questão, "vai na direção oposta às sugestões do FMI", segundo Thomsen. "Acredito seriamente que, durante algum tempo, a consolidação do orçamento não foi seguida". A consequência: "Isso levou a Itália a crescer abaixo do seu potencial", concluiu.

O vice-primeiro-ministro italiano, Luigi Di Maio, foi cáustico : “Hoje o Fundo Monetário Internacional chegou e atacou a lei do orçamento. Agora faltam apenas a NASA e algum outro corpo de algum outro planeta para comporem a plateia de instituições que promoveram aqueles que fizeram a lei Fornero, a Lei de Jobs, o dinheiro dos bancos, esses carniceiros sociais que nos últimos anos causaram a nossa ruína”.

Fontes: corriere.it/Le Monde/Reuters. Foto: Eurocéticos Matteo Salvini e Marine Le Pen esta semana na cimeira da UE-FMI uniram forças contras Juncker.

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