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EUA: 11 republicanos votaram com democratas no Congresso pela expulsão ’inédita’ de MTG por discursos de ódio, apelos à violência, incitamento à invasão ao Capitólio a 6 de janeiro 05 Fevereiro 2021

Os votos, 230-199, mostram a divisão no Partido Republicano sobre o apoio a Marjorie Taylor Greene que, empossada no dia 3 de janeiro como representante do partido pela Geórgia, foi na quinta-feira, 4, expulsa das comissões de trabalho por unanimidade do Partido Democrata e onze votos da ala republicana. A expulsão tem por base os "discursos de ódio e apelos à violência" contra membros do Congresso, o pedido de destituição contra Biden que Greene formalizou no dia seguinte ao ’20 de Janeiro’ e precedido do "incitamento" à invasão ao Capitólio.

EUA: 11 republicanos votaram com democratas no Congresso pela expulsão ’inédita’ de MTG por discursos de ódio, apelos à violência, incitamento à invasão ao Capitólio a 6 de janeiro

Greene, de 46 anos, no cargo há um mês destaca-se por ser a primeira republicana eleita para representar a Geórgia no Congresso. A meta desta fervorosa apoiante de Trump — uma das mais ferrenhas defensoras da tese do ’voto roubado’ — foi preparada desde 2016 com diversas intervenções ainda mais radicais que as do 45º presidente.

A caminhada entre a Geórgia e o congresso nacional está semeada de discursos incendiários e imagens fortes, em que Greene defende a bélice tese da "necessidade de erradicar" as progressistas do Partido Democrata: Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib.

Exemplo: em setembro último, publicou nas redes sociais uma colagem de fotos do trio AOC-Omar-Tlaib e uma foto sua, uniformizada para a guerra e com uma espingarda AR-15, acompanhada da legenda: "O pior pesadelo do trio. É hora de nós, conservadores cristãos autênticos, começarmos a ofensiva contra estas socialistas que querem destruir o nosso país".

A publicação em forma de ’meme’ foi objeto de repúdio por Nancy Pelosi que a descreveu como "perigosa ameaça de violência". Omar pediu que o Facebook retirasse a publicação, com base em que "incita[va] à violência" e tinha mesmo "incentiv[ado] outras ameaças de morte".

Apenas no dia seguinte, o Facebook retirou o ’meme’. A reação de Greene foi: os democratas estão a tentar expulsar-me antes mesmo de eu fazer o juramento no Congresso".

MTG, militante do movimento QAnon

A congressista Marjorie Taylor-Greene assume-se ativista do QAnon, um movimento que está a ser investigado devido às suspeitas de terrorismo e sobre o qual ainda não há consenso se é causa ou se é consequência da estratégia posta em marcha por Steve Bannon na campanha de Trump.

Mas é consensual que a insidiosa intervenção russa contribuiu para o nascimento da "teoria" QAnon no ano seguinte.

Na origem do nome, segundo estudiosos de culturas digitais, está um autodenominado Q, em luta para derrubar o "Estado profundo" constituído por uma organização de altos funcionários do governo envolvidos em redes de pedofilia que buscam estabelecer uma "nova ordem mundial".

Apenas o presidente Donald Trump pode frustrar esse plano, defendeu o misterioso QAnon no seguimento do Pizzagate, um boato surgido em 2016 de que uma pizzaria na capital, Washington DC, estava a ser usada como esconderijo para uma elite democrata pedófila.

O Pizzagate foi o primeiro sinal para uma nova forma de influenciar a opinião pública, e logo depois aparece em cena o misterioso QAnon que tem o apoio de Marjorie Taylor-Greene. Ela afirmou, em várias intervenções desde 2017, que «Q é um patriota". Uma apologia abertamente declarada por esta apoiante incondicional de Trump que nunca produziu qualquer desmentido e aparece nos palcos da Geórgia a apoiar a candidatura de MTG.

Segundo Tristan Mendès-France, que leciona culturas digitais na Universidade de Paris, o QAnon "é uma esponja para as teorias da conspiração... e as diferentes teorias alimentam-se mutuamente. Tudo é aceitável, desde mitologias antissemitas, 5G, máscaras (anti-coronavírus), ficção científica...".

Fontes: The Hill/Washington Post/NY Times/

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