MUNDO INSÓLITO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

EUA: Algemado por comer sandes no cais do comboio 22 Novembro 2019

Oito da manhã de segunda-feira. Steve Foster, 31 anos, esperava no cais a chegada do seu comboio metropolitano. Um polícia avisou-o que não podia estar ali a comer e Steve apressava-se a terminar a sandes, para não entrar com ela no comboio, quando o agente voltou para o multar. Steve exaltou-se e vieram reforços que o levaram algemado.

EUA: Algemado por comer sandes no cais do comboio

O caso deu-se na linha BART, o sistema de trânsito rápido da baía de San Francisco, Califórnia, há duas semanas. Steve comia o seu pequeno-almoço enquanto esperava no cais a chegada do comboio metropolitano, quando um polícia passou e disse-lhe que não podia estar ali a comer.

Steve diz ter entendido que não podia comer dentro do comboio e apressou-se a terminar a sandes. O agente voltou e, encontrando-o ainda a comer, multou-o.

Steve recusou fornecer a sua identificação e a foto mostra o momento em que o polícia agarra a alça da mochila. Steve exaltou-se e vieram reforços que o levaram algemado.

Passaram-se já duas segundas-feiras. Tempo para se transformar num fenómeno social e político. Steve está a ser defendido por um advogado para obter uma indemnização – mas isso é “o normal” na primeira potência mundial.

Cientistas sociais há que estão a a tratar o fait-divers como uma renascença da luta pelos direitos civis, agora sob o impulso das redes sociais.

Exageram os cibernautas e outros comentadores e tudo não passará do imediatismo advindo da fama instantânea e efémera, gerada pelos social-media? A ver ...

A descrição dos eventos das últimas duas semanas é a que segue.

Trinta manifestantes comem sandes no cais em protesto

O caso aconteceu na segunda-feira, mas foi na sexta-feira que o vídeo foi publicado nas redes sociais. Transformado em fenómeno viral, registou mais de quatro milhões de partilhas em duas semanas.

Diante disso, Kelly Groth, da ONG NextGen, organizou um protesto para o dia seguinte, sábado. Compareceram uma trintena de pessoas.

Um dos membros do Conselho de Administração do BART estava lá também a distribuir sanduíches aos que compareceram para o protesto no dia 9 do corrente.

Dois dias depois do polémica xintada no cais do metro, foi o diretor-geral (CEO) do BART que surpreendeu todos ao dirigir um pedido de desculpas público ao utente Steve Foster.

“Em nome do Bart, dirijo um pedido de desulpas ao sr. Foster, aos nossos clientes, empregados e ao público que se sentiu ofendido com o vídeo”, expressou Bob Powers, o diretor-geral (CEO) do sistema de trânsito rápido da baía de San Francisco.

Polícia indignada com hipocrisia do CEO

“Os nossos agentes merecem o maior respeito”, reagiu indignado o sindicato da polícia, em comunicado.

Nada satisfeito com o retrato final em que a classe acabou por ser pintada como o mau da fita, um dos membros da associação dos polícias da rede BART fez lembrar aos membros do Conselho de Administração do BART que foram eles próprios a criar as regras, para que a entidade policial as fizesse cumprir.

Por isso, dias depois do pedido de desculpas a Steve Foster apresentado por um dos membros do Conselho de Administração, o sindicato exigiu também um pedido de desculpas público.

O Conselho de Administração “ está a desmoralizar a polícia do BART ao defender os transgressores e assim dificulta o nosso trabalho como polícias em nome da ordem pública”, expressou Keith Garcia, presidente da Associação dos Agentes da Polícia do BART.

Processo judicial

O advogado John Burris, conhecido por defender casos de racismo na chamada Bay Area de San Francisco, anunciou em conferência de imprensa na última sexta-feira, 15, que tinha entregue na véspera uma queixa contra o sistema BART e os polícias envolvidos.

Entre os argumentos apresentados estão que os polícias terão agido com base no perfil racial. É que, alegou Burris, em nenhuma das estações do sistema BART, e em especial na estação em causa, Pleasant Hill, existe sinalética adequada a indicar que não se pode comer no cais.

"Esses agentes do BART seguiram um perfil racial e aplicaram a lei seletivamente, já que todos os dias se vê os utentes do sistema BART a comer — sandwiches e outro tipo de comida — não só na plataforma mas também dentro dos comboios".

Nunca se vê qualquer intervenção da polícia do BART, nem para avisar, ralhar ou multar. É uma exceção o caso de Foster”, rematou assim o advogado a sua exposição à justiça e que leu na conferência de imprensa tendo ao lado o seu cliente que tinha sido levado algemado no dia 4 para a esquadra.

Fontes: CNN/San Francisco Examiner/N Y Times/Facebook. Foto: Captura de ecrã do vídeo, no momento em que o polícia voltou para multar Steve.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project