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EUA: Homens vítimas de agressão sexual no serviço militar —10 mil por ano segundo o Pentágono 12 Setembro 2019

As estatísticas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos indicam que o número de vítimas do sexo masculino e do sexo feminino são numericamente iguais: em média dez mil pessoas agredidas sexualmente durante a prestação do serviço militar. A diferença é que o número de homens nos diversos ramos das forças militares é maior, o que faz com que as mulheres sejam mais vezes vítimas. Mas o sofrimento e as sequelas, por vezes por toda a vida, atingem mulheres e homens.

EUA: Homens  vítimas de agressão sexual no serviço militar —10 mil por ano segundo o Pentágono

Uma das vítimas que aceitou expor o seu caso à reportagem do New York Times publicada na 3ªfª, 10, foi o veterano Jack Williams (foto à esqª ao alto). Ele tinha 18 anos quando recém-chegado à Força Aérea foi violado pelo seu sargento em 1966.

“Se te queixas, ninguém te vai acreditar”, disse-lhe o seu agressor. Eram duas da manhã, o recruta estava no gabinete do seu superior, responsável pela formação, que o agarrara pelo pescoço sufocando-o até ele desmaiar. Jack foi violado enquanto no dormitório ao lado dezenas de colegas recrutas dormiam.

Sem saber o que fazer, o jovem sabia que “se dissesse que me tinham violado, todos iam pensar que eu era homossexual – ia ser tratado como se fosse eu o culpado”. Por isso, foi para debaixo do chuveiro antes de voltar para a cama. Ficou calado, à espera do dia em que ia deixar de estar sob as ordens do seu sarrnto.

Ao graduar-se, apresentou uma queixa à chefia da Força Aérea na esperança de ver preso o seu agressor. Fora violado pelo sargento repetidamente, um total de três vezes, no período do treino básico.

A sua esperança na justiça foi vã. Só lhe ficaram feridas físicas e psicológicas que o obrigaram a tratamento durante muito tempo.

Mais de meio século depois, dizem os dois jornalistas da reportagem, a voz da vítima (que esperava ver os superiores a ordenar uma investigação) ainda mostra a indignação perante a ausência de resposta da Força Aérea: “Ninguém me chamou. Ninguém fez nada”.

“Os superiores não reagiram. São essas pessoas que perpetuam processos e problemas porque não os resolvem adequadamente e pelo contrário a pessoa violada passa a ser culpada em vez do violador”.

“É errado – e tem de mudar”.

A mudança está em curso desde 2010, com o Departamento dos Assuntos de Veteranos a prover tratamento e uma pensão mensal a mais de sessenta mil veteranos – do Exército, Marinha, Força Aérea – que sofreram traumas físicos e psicológicos causados por agressões sexuais durante o serviço militar.

“Um cheque mensal, nada vai apagar o mal que me fizeram. Passei décadas no purgatório. Tinha um futuro, queria servir o meu país, tinha capacidade para isso. Mas isso foi-me tirado”.

A agressão. O silêncio. A queixa que é enterrada. O processo repete-se: Paul Lloyd violado em 2007 aos 17 anos, Bill Minnix em 1973 aos 17 anos, Billy Joe Capshaw em 1980 aos 17 anos, Ethan Hanson em 2014 aos 24 anos, Heath Phillips em 1988 aos 17 anos.

Todos acabaram por deixar o exército em algum momento sempre mais cedo do que esperavam. Todos sofreram muito tempo em silêncio as sequelas, o sentimento de que lhes tinha sido retirada a sua condição humana.

Fontes: Washington Post/ New York Times.

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