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EUA: ’Livro explosivo’ de John Bolton entrega "mentiroso" Trump "incompetente para o cargo" — Mas...qual é a novidade? 19 Junho 2020

Na próxima terça-feira, nove meses depois do ‘tweet’ que anunciava a sua demissão de terceiro e mais longevo conselheiro de Segurança Nacional que Trump teve (9.4.’18-10.9.’19), John Bolton dá à luz "The Room Where It Happened: A White House Memoir" (A Sala onde aconteceu: Memórias da Casa Branca). O ex-diplomata é "o mais alto funcionário a relatar em detalhe tudo o que aconteceu" no Gabinete Oval, diz o editor. A sala, centro da sua narrativa, onde passou a maior parte dos 453 dias em que aconselhou o presidente que hoje classifica como "incompetente para o cargo". Mas Trump diz estar tranquilo porque é ’tudo fake’, mesmo se já entregou queixa no tribunal para impedir a saída do livro.

EUA: ’Livro explosivo’ de John Bolton entrega

Há nove meses Bolton era forçado a pedir demissão, como Trump então tuìtou: "Ontem à noite, informei John Bolton (na foto,2º mais à esquerda) que os seus serviços deixaram de ser necessários à Casa Branca. Eu não estava de acordo com a maior parte das suas sugestões, outros membros da administração também não estavam, e é por isso que lhe pedi a sua demissão que ele me entregou esta manhã".

Nove meses depois, as "explosivas" revelações do livro — que é lançado na próxima terça-feira, 23, e teve esta semana excertos publicados pelo New York Times e Washington Post e difundidos através de recortes da entrevista que Bolton deu à CNN com transmissão no próximo domingo — estão a ser consideradas passíveis de levar a novo pedido de impeachment… Algo estratosfericamente delirante, diga-se.

Bases de impeachment

Segundo excertos ontem divulgados, há a questão da Ucrânia acrescenta-se este ano o pedido a Xi para a China ajudar Trump na reeleição em troca de negócios agrícolas.

Fraca novidade, pois.


Trump beneficiado com a partida de Bolton

Politólogos citados pelos media de referência concluíam há nove meses que ao despedir Bolton, Trump dirigiu ao seu eleitorado a mensagem de que tem as rédeas bem seguras, depois dos vários fiascos na frente diplomática e da segurança nacional—do impasse nas negociações com a Coreia do Norte ao marcha-atrás no drone contra o Irão, entre outros.

Contra os que apontavam Bolton como o culpado, este deixa preto no branco que os fiascos se devem à frouxidão de Trump. Um exemplo: não quis seguir a posição militarista e opôs-se à linha dura com o Irão que o seu conselheiro estratégico defendia.

A alegada capacidade negocial de Trump é arrasada: "Negociador? Só se for como agente imobiliário em Manhattan".

Bolton enviado a Bolsonaro: o que se sabe pode fazer prever algo mais?


O conselheiro da Segurança Nacional foi o primeiro enviado de Trump a Bolsonaro. O então presidente-eleito do Brasil encontrou-se com Bolton no Rio de Janeiro, em novembro de 2018.

É dele, Bolton, a alcunha "Bolsonaro dos Estados Unidos", proferida no dia 15.3.2019, em réplica ao "Trump dos trópicos" — o apodo dado no ano anterior ao então candidato Bolsonaro pelos media dos Estados Unidos.

Isto que se sabe pode fazer prever algo mais?

Novidade? Tentativa de travar publicação

Trump diz-se tranquilo porque é ’tudo fake’. Mas decerto para jogar todos os trunfos em ano eleitora, acionou advogados para impedir a saída do livro com argumentos que o editor já desmentiu afirmando que o autor até aceitou corrigir o que a Casa Branca pediu, aliás mesmo contra a primeira emenda, da liberdade de expressão.

Entre as principais alegações da queixa entregue na 3ª fª, 16, num tribunal federal, consta que Bolton não submeteu o seu manuscrito à aprovação prévia da Casa Branca.

"É uma violação evidente dos acordos que ele assinou como condição contratual e de acesso a informações de alta segurança".

A justificação baseada na segurança nacional pode vir a ter pernas para andar? Talvez mais que a alegada ’fake’. Tanto mais que vem recheada de alguns ingredientes como a quantia que Bolton recebeu pela sua narrativa de ajustes de contas, que até conta com dois milhões (de dólares).
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Fontes: Washington Post/AFP/AP/Le Monde ... Arquivos. Foto: Na Sala Oval, que deu título ao livro, aconteceu em 25.3.2019 a assinatura da proclamação que legitima a anexação dos Montes Golan, por Israel em 1983. John Bolton (reconhecível pelo bigode encanecido) é o segundo a contar da esquerda, junto de Sarah Huckabee Sanders. O PM de Israel está atrás do presidente Trump.

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