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EUA: investigação confirma que Trump emprega indocumentados — Pessoas "cansadas das humilhações" públicas depõem 08 Dezembro 2018

"Estamos cansadas das humilhações", dizem Victorina e Sandra (fotos inseridas). Deram a cara porque Trump chama criminosos aos ’imigrantes sem papéis’ que "o ajudam a ganhar dinheiro" nas suas empresas, justificam na reportagem do diário ’New York Times’.

A guatemalteca Victorina Morales e a costa-riquenha Sandra Díaz (fotos inseridas) foram contratadas para os clubes de golf do grupo Trump, em 2013 e 2010 respetivamente.

Entradas ilegalmente nos Estados Unidos, as duas funcionárias da The Trump Organization obtiveram (por um montante de que não se fala, mas que segundo testemunhos podem chegar aos três mil dólares) o número de segurança social e a autorização de estadia (Green Card) que lhes permite trabalhar.

Papéis falsos, que as entidades patronais têm, segundo a lei, de conferir nas bases de dados online. A reportagem do New York Times fez essa consulta e em minutos conferiu que os documentos apresentados por Victorina e Sandra não constam da base de dados do governo. Isto apesar de elas apresentarem recibos e comprovativos de pagamentos de impostos sobre os 13 dólares que recebem à hora.

"Temos dezenas de milhares de empregados em todas as nossas propriedades e temos práticas de contratações muito exigentes", afirma Amanda Miller, responsável pelas contratações ao mais alto nível na The Trump Organization, a descartar qualquer tipo de contratação ilegal.

A afirmação é contrariada pois pela investigação jornalística. "Muitos empregados não têm papéis", disse Sandra Díaz. Hoje legalizada, a ex-funcionária testemunhou em horas de reportagem que presenciou a contratação, no grupo Trump, de várias pessoas que como ela não tinham papéis, entre 2010 e 2013, quando saiu.

A informação é repetida por Victorina Morales, que, em julho último, recebeu um certificado do gabinete de comunicações da Casa Branca pelo "apoio extraordinário dado ao gabinete da Presidência" aquando das reuniões no resort de Nova Jérsia (foto principal), onde ela trabalha há cinco anos. Agora, após a entrevista e apoiada por um advogado, procura legalizar-se, na certeza de que, como disse Amanda Miller, acima referida: "Se um empregado entregou documentação falsa, será despedido de imediato".

"Eu, uma camponesa da Guatemala, nunca sonhei que um dia ia ver pessoas importantes de tão perto", comentou ela, após relatar que "o presidente Trump é simpático, dá boas gorjetas". O marido confidenciou à reportagem que ela chegava a casa "contente, a mostrar que Trump lhe tinha dado 50 dólares, outras vezes 100".

Mas a guatemalteca não perdoa ao patrão, "exigente mas simpático", as humilhações quando, como presidente, fala em público dos "imigrantes criminosos, violentos", contra os quais envia soldados prontos a disparar enquanto não constrói o muro fronteiriço.

Ao ver as imagens dos milhares que caminham através da América Central para chegar ao Norte, Victorina, hoje com 45 anos, relembra que há quase 20 anos caminhou durante seis semanas, parte de autocarro, parte a pé, entre a Guatemala e a Califórnia em 1999 para se juntar ao marido que viajara meses antes e se estabelecera em Nova Jérsia.

"Não temos um único imigrante ilegal no grupo Trump", afirma Donald Trump eleito Presidente

A declaração acima, acompanhada da justificação de que todos os contratos tinham sido submetidos ao sistema eletrónico E-Verify, foi feita na inuaguração do Trump International Hotel de Washington, perto da Casa Branca, em janeiro de 2017, poucos dias antes da tomada de posse.

A não contratação de imigrantes constitui aliás o cavalo de batalha de Trump. A política protecionista anunciada no slogan de campanha expressa-se na ordem executiva assinada na primeira semana da presidência de Trump: "Compra americano, emprega americanos" .

Mas o decreto-lei assinado pelo 45º presidente distancia-se da prática passada e presente das suas empresas, constata a investigação publicada esta quinta-feira, 6.

Fontes: NY Times/Nacion.ar.

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