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Ébola na RD Congo: Médicos ameaçam com greve para tirar da cadeia colegas suspeitos de homicídio de epidemiologista da OMS 10 Agosto 2019

Mais uma greve de médicos na RD Congo, como disse esta quinta-feira, 8, o Synamed, "se em quarenta e oito horas não forem libertados os médicos detidos". São três de quatro médicos, apontados como os mentores do ataque miliciano ao centro de tratamento do vírus Ébola, em 19 de abril. Entre as vítimas mortais, o médico-epidemiologista Richard Mouzoko, enviado em fevereiro pela Organização Mundial de Saúde para o combate ao Ébola ressurgido em agosto de 2018.

Ébola na RD Congo: Médicos ameaçam com greve para tirar da cadeia colegas suspeitos de homicídio de epidemiologista da OMS

O médico Mouzoko ao serviço da OMS havia cinco anos tinha chegado a Butembo, a cidade mais atingida pelo novo surto de Ébola, havia pouco mais de um mês. Pai de quatro filhos, o mais velho com doze anos, o médico apercebeu-se que corria perigo de vida, segundo o seu colega a quem confidenciara: "Tenho medo. Tenho de procurar voltar vivo para a minha mulher e filhos".

Mouzoko, de quarenta e dois anos, pereceu no terceiro dos ataques, em apenas dois meses, ao hospital local. Os perpetradores são grupos de milicianos que apoiam as comunidades do país que se opõem à intervenção da assistência médica internacional.

Testemunhas dos ataques relatam que durante os mesmos os milicianos gritam "Ébola é uma invenção. Vocês inventaram a doença".

Também há relatos de que nas comunidades congolesas mais afetadas pelo Ébola, a receção aos que aí chegam no âmbito da assistência médica, autorizada pelo governo, é hostil, incluindo o apedrejamento de viaturas e pessoas.

‘Ética das greves de médicos’


Questionamentos têm surgido em instituições médicas e académicas internacionais acerca da ‘Ética das greves de médicos’ –frequentes e duras na República Democrática do Congo.

O questionamento mais recente — consta da publicação Canadian Journal of Bioethics no início deste ano (nº2, de fins de março)– põe o dedo na "gritante falta de recursos" médicos no país.

Pergunta-se se “o valor da vida humana não deve ser maior” que a embora “justa reivindicação por melhores salários”. O “descalabro do sistema de Saúde”, acrescentam dez médicos signatários, “impede qualquer possibilidade de organizar os serviços mínimos” da praxe. As consequências podem ser catastróficas como na greve "dura" dos médicos entre abril e agosto de 2017.

Fontes: BBC/Sites das instituições referidas. Relacionado: Ébola é “urgência sanitária mundial” mas nenhum país deve fechar fronteiras, diz OMS — 1676 mortes desde agosto na RD Congo, 17.jul.2019. Fotos OMS): Família do médico camaronês — morto em ataque a hospital na República Democrática do Congo — a ser visitada por dois responsáveis da OMS na região.

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