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2020 afeta fármacos para cancros, desvia recursos, faz emergir gigamercado da cosmética para a China 04 Janeiro 2021

A sofrer de leucemia antes de 2020, a brasileira Duda à espera dum doador compatível tinha já disponível o Bussulfano, fármaco que limpa as células mortas e prepara o organismo para o transplante de medula óssea. Hoje Duda disse à Globo sobre os mais de cinco mil brasileiros que em 2021 não vão ter essa sorte, porque a única fornecedora do fármaco fechou para dar mais gás à produção dermocosmética rumo ao gigantesco mercado da China.

2020 afeta fármacos para cancros, desvia recursos, faz emergir  gigamercado da cosmética para a China

O fornecedor do Bussulfano fechou portas. Porquê? Uma busca na internet, nos media de referência permite perceber o que está em jogo, a sobrevivência da empresa francesa Pierre Fabre que durante décadas investiu no segmento dos produtos de tratamento dos cancros.

Mas chegou dezembro de 2019 e de repente tudo mudou. O segmento de luxo ultrapassa o da farmacêutica, constata-se perante a nova estratégia da empresa francesa Pierre Fabre, que desativou a fábrica de Bussulfano e investe na dermocosmética para o gigantesco mercado dos cuidados da pele que é a China.

A Pierre Fabre nasceu perto de Toulouse em 1962, por iniciativa do farmacêutico Pierre Fabre (1926-2013). Cresceu como empresa farmacêutica e evoluiu para a dermocosmética.

A expansão em França e no mundo fez da Pierre Fabre uma gigante que até o ano passado ocupava o 2º lugar francês no segmento farmacêutico — incluindo o dos fármacos para tratamentos canderígenos — e o 2º lugar mundial no segmento de luxo da dermocosmética.

Apresentou-se à China no início do milénio com a marca Avene, para cuidados da pele. 17 anos depois, em outubro a matriz Pierre-Fabre anunciou que fechava o segmento farmacêutico — possível efeito da pandemia que desviou recursos para a investigação de vacinas e tratamentos do novo coronavírus.

Em entrevista no sábado, 2, ao jornal China Daily, Kyungae Choe que dirige a Pierre-Fabre Dermo-Cosmetique China mostra o grande potencial dessa filial que conta ver crescer para a China se tornar o maior mercado da marca.

"Estamos muito otimistas quanto ao mercado chinês. Investimos tudo para que no futuro, digamos até 2025, os consumidores chineses possam ter produtos adequados para uma pele saudável em termos médicos e cosméticos", remata a diretora-executiva da filial da multinacional francesa.
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Fontes referidas. Entre Econometria e Vacinometria, o horribilis 2020 afinal não terminou para uma boa parte dos milhares de milhares que todos os anos estão na fila de espera por um doador de medula compatível. É que agora têm as suas hipóteses reduzidas: o Bussulfano e outros da linha de tratamentos para os cancros ao deixarem de dar lucro foram desativados; e a Pierre Fabre está ao serviço do emergente mercado dos produtos de luxo — com novas imagens (fotos.

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