NOS KU NOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Efeméride: Dia Mundial da Poesia, 21 de março 21 Mar�o 2021

Nos ku nos: Encontro marcado com a poesia.

Efeméride: Dia Mundial da Poesia, 21 de março

Círculo infinito, Poiesis

1

Com ou sem a dança do vento
Poesia predestinada no nosso ADN
Natureza que a consciência desperta
Realiza na poesia do ser perante o mistério de sermos
Como quando te quedas perante a criança
Imperfeição destinada a ser ser perfeito
Promessa de infinito ante a hora finita

2
Nas primeiras lalações
Nos primeiros passos
Com ou sem a dança do vento
E por longo tempo omnipresente a promessa
Guiada na aprendizagem que é dever
A erguer-se como Babel de aço
Contra a Natureza força imanente

3
Dentro da criança
A cozinhar as estruturas
Da interrogação perante o mistério do mundo
Força imanente que a todo o momento
Com ou sem a dança do vento.
pode eruptir em perguntas incomensuráveis
Que nos desafiam
A inteligência da emoção
Não posso mais?Tenho de poder!

4
Ó dona da dor não percas a paciência
Entra, vai com a criança
que te faz regressar à idade mítica
Circula até esse ponto que te fortalece

Ó dono da voz e poder
Cede a vez e a voz aos teus anciãos
ávidos de escuta no seu tombo na infância
destino dos longevos
antes da derradeira hora.

5

E um dia por obra do círculo
vamos inverter papéis
Eu, a criança de ontem longínquo outrora
Das perguntas mil que te fizeram sorrir ou zangar
A que respondeste ou não
Ao teu filho de quatro anos
Fascinado ante a descoberta do amor nos beijos do par arrulhante
Pombo e pomba, Romeu João e Julieta Maria

6

Tu e eu percorridas as etapas
Que nos fizeram adultos
Fazemos a ronda do círculo
Neste entardecer, dia hesitante violeta ao lusco-fusco
Aquela hora do sossego da lida diária
Em que como os avós dos avós dos avós
nos invade a ansiedade de encarar o Lzinparin
Da noite fonte do oculto

7

Antepassados que diante do sol a desaparecer
No mar atrás das montanhas
Sentem o desamparo diante do que o escuro traz
E lhe deram um nome: Lzinparin
Na iminência do encontro
com o eu profundo que pede contas do dia
Em filme a projetar hedonista ou epicurista
do cineasta insciente enredado na consciência

8

— Uma pombinha! Eco de há dez vezes quatro anos
Hoje só a dança do vento faria da folha
Pombinha dançante aos olhos anciãos
É a mãe da mãe da mãe de volta à infância
Que vê na begónia alta de seis pés que é coisa rara
A risca branca a dividir as duas elipses da folha
Até à verde cauda cinza contra a luz coada
Mais a dança do vento no círculo infinito.

MLL

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