Legislativas 2021

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Analistas consideram "fraco" o nível de debate dos partidos na comunicação social 16 Abril 2021

Com as legislativas na reta final, ambos os analistas, Daniel Costa e Alcindo Amado, fazem uma avaliação negativa da qualidade do debate na televisão e rádio entre as candidaturas que consideraram "fraco" em conteúdo, embora tenham assinalado a melhoria na postura "cívica". Com as Presidenciais previstas para outubro (ver a parte infra desta peça), a expetativa é de que os debates sejam mais "sonantes", até porque se perfilam dois ex-primeiros-ministros e candidatos de peso, com lugar seguro na história da política cabo-verdiana.

Analistas consideram

Professor universitário, investigador e cientista político com várias obras já publicadas, Daniel Costa considera que, em grande parte, os debates na comunicação social a envovler os candidatos a estas Legislativas foram "vagos" em conteúdos. Algo, aliás, "habitual" nestes fóruns eleitorais. Isso, sentencia, porque verificou-se "poucas abordagens de aspetos concretos" e que se direcionam para “necessidades concretas e imediatas” da maioria da população, particularmente das franjas mais carenciadas.

Entretanto, um aspeto positivo, de acordo com o mesmo analista, tem a ver com a melhoria no que tange à "civilidade" dos debates. "No que toca aos debates nos órgãos de comunicação social, desta vez, o nível cívico dos debates foram mais elevados", reflete.

Já Alcindo Amado considera mesmo que os partidos políticos "tratam os eleitores por parvos", já que "prometem o impossível". Crítica, sobretudo, "o partido no poder" que na sua ótica, "descaradamente, volta a refogar as mesmas promessas feitas anteriormente e não compridas".

Contudo, Amado afirma serem os eleitores "conscientes daquilo que é possível ser feito, das promessas feitas e não cumpridas e, também, daquilo que é necessário e
possível de ser feito".

Engenheiro agrónomo de formação, Amado tem vindo a destacar-se ao longo dos anos enquanto analista político em vários espaços de comunicação social,sendo um importante colaborador do Jornal A Semana ( Online e impresso que está suspenso).

Espectativas para as Presidenciais

Entretanto, tendo em conta o perfil e historial das duas candidaturas mais notórias nas corridas às Presidenciais, José Maria Neves, ex-presidente do PAICV, e Carlos Veiga, ex-líder do MPD, advinha-se de que os próximos debates eleitorais sejam mais "tensos e "intensos", sublinha Daniel Costa.

“ Prevejo que as tensões políticas geradas durante as atuais campanhas eleitorais para as legislativas serão transferidas para as campanhas presidenciais, com fortes possibilidades de serem mais sonantes”, reflete Costa.

Impacto dos resultados das legislativas às Presidenciais de Outubro

Ainda a persistir a incógnita quanto ao que poderão ser os resultados das legislativas, Alcindo Amado vaticina que "a recente derrota do MPD nas últimas Eleições autárquicas afetar-lhe-á, negativamente, nas próximas legislativas", pois que “um exército que perde o seu quartel-general (CMP) pode contar com a derrota”.

Ainda que todos os cenários estejam em aberto para as legislativas, Amado atesta que "numa eventualidade do PAICV vencer as Legislativas, o candidato JOSÉ MARIA NEVES será o vencedor".

Contudo, o oposto não procede. isto, porque, explica, sendo "que o seu adversário (JMN) encontra-se melhor contextualizado politicamente", a eventualidade da renovação do mandato ao MPD "não garante a vitória ao CARLOS VEIGA".

Amado vai mais longe ao referir que Veiga terá perdido o peso político de outrora dentro do MpD e que a maior oposição de CARLOS VEIGA está dentro do próprio partido ventoinha, "o que naturalmente inviabiliza a sua candidatura".

É que a Comissão Política do MpD é formada hoje, na maioria, pelo antigos "dissidentes", que outrora sairam do partido para formar o PCD, entretanto hoje extinto, e estes "não querem ver CARLOS VEIGA por perto", frisa Alcindo Amado.

Daniel Costa salienta, igualmente, a perda de Santiago Sul pelo MpD nas autárquicas e que é indiciador de que "os humores" por estas bandas "não estão favoráveis aos ventoinhas.

Porém, adverte, quanto ao resultado destas legislativas, "tudo dependerá do tipo, quantidade e qualidade do trabalho político que o PAICV, a UCID, o PSD, o PTS e o PP fizeram no terreno, nos últimos tempos. E da forma como os eleitores perceberem esse trabalho político."

Sobre se o resultado destas Legislativas poderá influenciar as Presidenciais, Daniel Costa afirma que "sempre têm impacto", porém, "o tipo de impacto, o grau de impacto e o sentido do impacto dependerão da força com que o partido maioritário sair das urnas, do tipo de governo que vier a ser formado". Acrescenta-se a isso fatores como "nível da coesão interna no seio dos dois principais partidos", bem como o "percurso" e "reputação pública" e política dos candidatos presidenciai, para além de como as respectivas imagens serão exploradas eleitoralmente".

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