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África/Eleições no Quénia: Candidato derrotado contesta resultados 17 Agosto 2022

Raila Odinga, o candidato derrotado nas eleições presidenciais do Quénia, qualificou como "uma farsa" o resultado do escrutínio.

África/Eleições no Quénia: Candidato derrotado contesta resultados

O candidato derrotado nas eleições presidenciais do Quénia, Raila Odinga, prometeu, segundo a Lusa, esta terça-feira (16.08) recorrer a "todas as opções legais" possíveis para contestar os resultados do escrutínio na semana passada.

"Faremos isso tendo em vista as muitas falhas nas eleições", disse Odinga no seu primeiro discurso após o anúncio dos resultados, na segunda-feira. Para o ex-primeiro-ministro e figura histórica da oposição, os números anunciados pela comissão eleitoral "devem ser anulados pela Justiça" por serem "uma farsa e um flagrante desrespeito pela Constituição".

"Na nossa opinião, não existe nenhum vencedor legal e validamente declarado nem um Presidente eleito", disse Odinga.

O seu principal rival na corrida presidencial, o vice-presidente William Ruto, obteve mais 233 mil votos e foi declarado vencedor das presidenciais na segunda-feira, após conquistar 50,49% dos votos, contra 48,85% para Odinga.

"Natureza opaca do processo"

Segundo a mesma fonte, minutos antes da publicação dos resultados, a vice-presidente da comissão eleitoral independente do Quénia (IEBC) anunciou que quatro dos sete membros daquele órgão rejeitavam os resultados.

"Pela natureza opaca do processo, não podemos assumir a responsabilidade pelos resultados que vão ser anunciados", disse a vice-presidente Juliana Cherera, ladeada por outros três comissários, pedindo "calma" aos quenianos.

Esta terça-feira pouco antes do discurso de Odinga, os quatro comissários confirmaram que os números finais anunciados na segunda-feira representavam 100,01% e alertaram que os votos a mais poderão ter feito "uma diferença significativa".

As declarações de hoje de Odinga levantam novas incertezas no Quénia, após as eleições de dia 9 terem sido consideradas as mais pacíficas de sempre. O país poderá enfrentar agora semanas de disputas judiciais e o Supremo Tribunal pode mesmo ordenar a realização de novas eleições.

Líderes religiosos e políticos têm apelado à calma da população.

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