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Mercado de emprego: Albino Alves escreve sobre possíveis soluções económicas para Cabo Verde 22 Abril 2019

Em carta remetida ao ASemanaonline, o escritor Albino Alves, residente na Itália, questiona as medidas que o atual Governo de Ulisses Correia e Silva tomou até agora e o que pensa fazer para reverter a quadro negro em exibição nos recentes dados estatísticos do INECV sobre o mercado de emprego em Cabo Verde. Como duas medidas de fundo que devem ser implementadas para melhorar a situação referida, Albino destaca a necessidade de se rentabilizar a agricultura e pecuária, bem como facilitar o acesso ao crédito. «É universal o princípio de que, impostos baixos estimulam os investimentos que estão na base da criação de emprego. É preciso reduzir os custos de energia e água. Também é necessário que se aposte mais em tecnologias, fortalecer o setor primário, em particular, agricultura e pecuária. Existe também uma necessidade premente de se industrializar o país. Essas são medidas que, os membros do governo têm o direito de conhecer e incentivar», fundamentou na missiva remetida a esta diário digital, que publicamos a seguir.

Por: Albino Neves*

Mercado de emprego: Albino Alves escreve sobre possíveis soluções económicas para Cabo Verde

A criação de emprego em Cabo Verde tem sido um dos maiores desafios dos sucessivos governos.

O emprego é um indicador importante para a geração de riqueza e, garante o conforto de qualquer cidadão.

Conforme os dados da INE, em 2018, 48,8% da população ativa estava empregada, registando uma variação negativa de 2017 para 2018 em 3,1%, ou seja, houve menos gente empregada em 2018 do que em 2017. Aliás, analisando os dados em geral, os indicadores não são favoráveis para um país que se queira crescer e desenvolver e sobretudo para um partido que prometeu criar 9 mil postos de trabalho por ano.

Mediante os dados, o governo só tem uma atitude a tomar, que é, arranjar políticas assertivas que promovem a criação de emprego nos próximos anos, não pondo em risco a sua promessa eleitoral.

Um país só cresce quando uma boa parte da sua população estiver no ativo, nas mais diversas atividades económicas.

Entretanto, indo ao encontro dos dados do INE, podemos constatar que, a população em ativo diminuiu em mais de 10 mil, de 232 198 em 2017 para 222 028 em 2018, se seguirmos a noção acima, não podemos afirmar que, o país esteja em condições de crescer.

O governo continua insistindo que está empenhado em criar empregos/trabalhos de forma sustentada no país. Para tal efeito, sabemos que é preciso que se tomam medidas, que se criem políticas que visam isso.

Os dados estatísticos sobre a criação de emprego, nos últimos anos, provam que, as estratégias no sentido de tornar Cabo Verde, num país inclusivo em termos de oferta de emprego não estão a resultar. E isso é péssimo tanto para o país, bem como para quem governa. Quando é assim não atende aos desafios de crescimento e desenvolvimento que Cabo Verde pretende. É preciso adoptar novas estratégias.

É universal o princípio de que, impostos baixos estimulam os investimentos que estão na base da criação de emprego. É preciso reduzir os custos de energia e água. Também é necessário que se aposte mais em tecnologias, fortalecer o setor primário, em particular, agricultura e pecuária. Existe também uma necessidade premente de se industrializar o país. Essas são medidas que, os membros do governo têm o direito de conhecer e incentivar.

Apresentamos aqui, duas medidas que entendemos serem vitais para crescimento do país e que de certa forma contribuirão na industrialização de Cabo Verde.

1 - Rentabilizar a agricultura e pecuária - neste sentido o governo através das suas competências, criava condições para que haja mais água e disponibilizava mais terrenos para prática da agricultura. Com uma produção significativa de produtos agro-pecuários estaremos a abrir caminho para a estabilidade económica e a abrir espaço para negociações com a indústria hoteleira, no sentido de abrir canais de negócio dos produtos nacionais e limitar a importação desenfreada. Com está indústria a funcionar em pleno estaremos também a criar condições internas para se proceder à revisão das leis de exportação existentes. Com mais produtos agrícolas há possibilidade de criar indústrias transformadoras de produtos agrícolas e seus derivados. Por que não, uma unidade de fabricação de chouriço ou de outros produtos pecuários? Porque não criar unidades de transformação/embalagem de produtos agrícolas, com um nível alto de Qualidade, baseando-se no BRC (sistema de qualidade alimentar) existente na Europa? Se tivermos uma agricultura e uma pecuária rentável, essas ações podem ser possíveis. Daqui sai a medida ou proposta 2.

2 - Facilitar o acesso ao crédito - o governo pode e muito bem concretizar isso aos empreendedores/ investidores nacionais, residentes e emigrados. Acreditamos que seja possível um acordo, entre o governo e os bancos comerciais do país, no sentido de facilitar aos jovens que tenham um projeto fiável, o crédito para a materialização do projeto.

O acordo entre os bancos e o governo consistiria no simples fato do governo assumir o papel de fiador dos projetos fiáveis, escolhidos pelos respectivos bancos mediante as análises financeiras dos projetos. Sendo possível essa medida, porque não implementá-lo?

Também sabemos que, há muitos jovens com ideias e projetos interessantes para o país, porém falta o principal, financiamento.

Com estas medidas cria-se mais negócios, mais investimentos, mais empregos, mais rendimento e, haverá mais impostos a pagar ao governo. Para além de contribuírem para a diminuição da importação e consequentemente registando um equilíbrio na balança comercial estarão a contribuir para a estabilidade económica e financeira do país.

Cremos que, estas políticas poderão ajudar a criar condições para que muitos se possam estar ocupados, gerando riqueza para si.
— -
*Escritor residente em Itália

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