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Embaixador de Cabo Verde em Roma-Itália: Emigrantes vão beneficiar brevemente de ligações aéreas entre os dois países e emissão rápida de documentos 28 Abril 2019

O Embaixador de Cabo Verde em Roma destaca a dinâmica nas históricas relações de amizade e cooperação entre os dois países, na entrevista que se segue conduzida pelo colaborador do ASemanaonline Albino Sequeira. Jorge Figueiredo Gonçalves (foto) anuncia que estão já voos programados, a partir de Junho próximo até Outubro, de Cabo Verde Airlines para Itália, com a partida do nosso arquipélago. «Vamos trabalhar para que os serviços consulares tenham acesso direto à base de dados em Cabo Verde, podendo emitir todos os documentos com celeridade. Esta é uma aposta que esperamos ser uma realidade a curto prazo», acrescentou o diplomata, que informa ainda estar a trabalhar para que produtos de Cabo Verde sejam exportados para a Itália, com destaque para o vinho e café do Fogo, atum de São Nicolau e Frescomar, entre outras marcas nacionais. Confira detalhes na entrevista que publicamos a seguir.

Embaixador de Cabo Verde em Roma-Itália: Emigrantes vão beneficiar brevemente de ligações aéreas entre os dois países e emissão rápida de documentos

A Semana – De forma a fazermos um enquadramento, começaríamos a perguntar, como encontrou os serviços a funcionarem na embaixada?

Embaixador – De forma geral encontramos a chancelaria a funcionar em condições corretas e normais, com um recurso humano qualificado e só tenho bem a falar desta embaixada desde assunção das minhas novas funções. Neste momento, o meu dever é trabalhar no sentido de melhorar ainda mais os serviços, tanto que já começamos a implementar as novas ideias que beneficiarão os cabo-verdianos residentes em Roma.

Quais são os principais objetivos da missão do Senhor Embaixador na Itália?

– Os principais objetivos da minha missão prendem, com as competências bilaterais, que visa desenvolver relações de cooperação Cabo Verde/Itália, por outro lado, colocar em contato as entidades Cabo-verdianas e as Italianas, tanto para o turismo e impulsionar o investimento e vice-versa. Porque não um cabo-verdiano investir em Itália? Em suma, criar uma dinâmica que promova efetivamente a diplomacia económica.

Em segundo lugar, através das funções multilaterais representar de forma permanente Cabo Verde junto da FAO, FIDA, PAM e claro exercer aquilo que mais gosto de fazer que tem a ver com a comunidade cabo-verdiana em Itália. Com este propósito, farei aquilo que estiver ao meu alcance para melhorar a integração dos nossos emigrantes neste país de acolhimento, facilitar as relações entre estes e as instituições italianas, de igual modo, tornar fácil, as suas relações com Cabo Verde, terra mãe.

Cooperação económica e turismo

Itália poderá dar mais a Cabo Verde, a nível económico?

- Isso vai depender muito das relações Cabo Verde/Itália e estou empenhado para estreitar ainda mais esta relação e torná-la produtiva.

Temos um investimento considerável dos italianos em Cabo Verde no setor imobiliário turístico (hotéis, pensões, restaurantes). Entretanto, é preciso vender a imagem de Cabo Verde, aquilo que caracteriza o nosso arquipélago, que marca a nossa bandeira, que é, a nossa morabeza, a segurança, a simpatia no acolhimento dos estrangeiros, a nossa cultura, em particular a nossa música e a nossa gastronomia e por outro lado, os benefícios fiscais, sobretudo as leis que são seguros e propícios para atrair investimentos. Compete a mim persuadir, incentivar os investidores italianos que somos diferentes.

Outro aspeto que pretendo desenvolver e para isso espero contar com ajuda da comunidade Cabo-verdiana residente na Itália, é contribuir com ações concretas para aumentar o fluxo de turistas Italiano para Cabo Verde, que será conseguido com aumento dos voos diretos de Itália para Cabo Verde. Nessa lógica, acredito que o nosso país será um bom destino turístico para os europeus residentes nas terras de Papa.

Ligações aéreas e vantagens

De forma resumidamente, pedia que o Senhor Embaixador explicasse aquilo que é a “Diplomacia Económica”?

- Antigamente a diplomacia era mais em representação, mas hoje enveredou para outros caminhos. A evolução do mundo e a necessidade de promover o crescimento económico de um determinado país, os diplomatas e as embaixadas são chamados a fazer um trabalho diferenciado, que vai na linha de promoção do país na área económica, quer dizer que devemos estar preparados às questões dos empresários do país de acolhimento nos colocam na perspetiva de investimentos, é a nossa tarefa mostrar todas as nossas condições que o país reúne e oferece para investir. É uma diplomacia que seguiu um rumo diferente que tem a ver agora muito com a promoção de um local e o investimento externo desse mesmo sítio, em ocorrência Cabo Verde.

Em suma, a diplomacia económica, neste caso particular é pôr a nossa diplomacia ao serviço de desenvolvimento económico de Cabo Verde, do desenvolvimento das empresas, quer sejam públicas ou privadas. É a possibilidade de fomentar marcas de produtos, setores, e isso só é possível desde que parta de uma política concertada e de uma estrutura criada para o efeito.

Que influência que o Senhor Embaixador pretende exercer junto do governo para retoma dos voos de Cabo Verde Airlines (ex TACV) para Itália?

- Considero muito proximamente Cabo Verde tornará um ponto de destino de voos, talvez muito mais que um ponto de escala das linhas aéreas dos Estados Unidos e América para Europa. A própria compaínha Cabo Verde Airlines está nesta dinâmica de aumento de voos de frequência de diversa ordem, nomeadamente ligação Roma / Cabo Verde e vice-versa. Neste sentido já há voos programados a partir de Junho próximo até Outubro de Cabo Verde Airlines para Itália, a partir do nosso arquipélago e o objetivo é de continuar com a ligação aérea regular entre os dois países.
Claro que havendo voos diretos Itália/Cabo Verde, naturalmente que isto tem incidência de diversa ordem na nossa comunidade em Itália, e uma dessas incidências é inexistência de escalas, ganha-se tempo e a outra incidência, se calhar a mais importante, são os custos, passaremos a ter bilhetes de passagens mais baratos.

Exportação de marcas nacionais e papel de emigrantes

Como se pode reforçar as exportações de Cabo Verde para a Itália?

- Não há razões nenhuma para que as exportações de Cabo Verde para Itália não sejam promovidas. Como sabemos Cabo Verde tem uma parceria especial com a União Europeia. No âmbito desta parceria, o nosso país em razão de qualidade, de certificação dos seus produtos, que são reconhecidos pela União Europeia, prontos para serem exportados encontrem o caminho progressivamente acrescido no mercado Italiano, beneficiando de taxas de exportação para UE sem constrangimentos aduaneiros e isso é válido para o espaço de CEDEAO, onde Cabo Verde está inserido em África e a próxima missão é de levar a prática aos Estados Unidos da América. O Cabo-verdiano não tem problemas em exportar qualquer que seja o produto que vem das ilhas da república de Cabo Verde para o mercado Italiano, mediante os benefícios que provém dos acordos que o país tem com União Europeia.

Como é que os Cabo-verdianos residentes na Itália podem contribuir para o desenvolvimento do país e promover os produtos de Cabo Verde aqui?

- Os Cabo-verdianos podem contribuir de várias maneiras. Os emigrantes em Itália estão a contribuir para o desenvolvimento Cabo Verde desde sempre. Quando enviam as remessas, constroem as suas habitações o país ganha mais um património, neste vertente são mais empregos que estão a criar, empregam pessoas para tomar conta das suas casas, quando adquiram um apartamento pagam as taxas exigidas pela lei. Tudo isso são contribuições de um emigrante em Itália para o desenvolvimento do país. Podem ainda ser os agentes do quotidiano no seu relacionamento com os interlocutores italianos. Eles é que são os agentes dessa mudança, dessa nova imagem de Cabo Verde.

Quanto aos produtos, Cabo Verde oferece um leque enorme de produtos que podiam ser identificados e um Cabo-verdiano com experiência na matéria poderia fazer a vinda daqueles produtos para o mercado Italiano. Temos por exemplo o vinho da ilha do Fogo, que é reputado de boa qualidade, que poderia ser perfeitamente comercializado aqui em Itália. Temos ainda o café de Cabo Verde, o atum e entre outros produtos nacionais. Esta é uma oportunidade que deve ser potencializado, porque o existe o produto, o transporte e a facilidade na entrada no mercado Italiano. Como ponto de partida, os Cabo-verdianos têm de consumir mais os produtos de Cabo Verde, algo que entraria na ordem do dia.

Centro Cultural e diálogo com emigrantes

Como é que o Senhor Embaixador se vai aproximar e dialogar com a comunidade Cabo-verdiana na Itália?

- Já comecei a fazer isso. A primeira coisa que procurei fazer foi conhecer todas as associações cabo-verdianas existentes em Roma. Entrei em contato com os nossos cônsules nas outras zonas onde temos representações de comunidade. Efetivamente o meu primeiro contato, a primeira ação foi a reunião que tive com todos os presidentes das associações, que neste aspeto queria realçar um ponto muito positivo, que me surpreendeu foi a pontualidade dos convidados. Procurarei estar presente em todas as atividades, ações desenvolvidas pelos nossos emigrantes. Estou à inteira disposição da comunidade Cabo-verdiana. Não digo isto por dizer, mas estarei em perfeita sintonia e à escuta daquilo que são as necessidades, as preocupações e os anseios da nossa comunidade. Sempre na perspetiva de uma união que nos permite vencer as dificuldades de forma honrada e exemplar possível. Outro meio para comunicar com os meus patrícios é através dos programas de rádio, difundindo sempre as informações relevantes para a comunidade. É claro que, o embaixador só estará no evento que for convidado.

Como vê a ideia de se instalar um centro cultural Cabo-verdiana em Roma e o ensino de crioulo e português aos descendentes crioulos?

- Esta é uma medida que pensamos trazer para aqui e é um projeto que o governo de Cabo Verde pretende implementar nos países que houver um número significativo de cabo-verdianos. Em Lisboa esta iniciativa está a ser levado a cabo, neste momento está na fase de identificação do espaço para apetrechamento e por conseguinte pô-lo à disposição da cultura crioula. Este é um processo que conheço, porque na altura quando se iniciou exercia funções na embaixada de Cabo Verde em Lisboa. O que se está pensar é adaptar esta iniciativa à realidade italiana. Durante a minha permanência iremos mobilizar esforço para pôr este projeto ao serviço da comunidade. Vai ser um espaço aberto permanente, que vai estar à disposição das associações, para efeito de promover o encontro dos emigrantes regularmente, de igual modo, promover o convívio dos italianos com a nossa cultura.

5 de Julho e emissão online de documentos

Pensa em promover a festa de 5 Julho na Itália, junto da comunidade Cabo-verdiana?
- 5 julho é uma data que todos os cabo-verdianos conhecem, estimam e devem dar relevância, porque é o dia que, o nosso país ascendeu à qualidade de país independente e desenhou o seu próprio destino. Certo que é uma data marcante e deve ser comemorado. Entretanto, a celebração desta data não é monopólio da embaixada. Sendo Cabo Verde um país pobre, o governo não consegue afetar recursos para todas as embaixadas assinalarem esta data. Normalmente, o que se faz é, em cada um ano se escolhe uma embaixada para comemorar a independência de Cabo Verde. Para este ano parece pouco provável a recordar esta data por parte da embaixada, a não ser que, apareça um grupo de pessoas ou associações que organize a celebração deste marco importante para o país, contando com a parceria da embaixada de Cabo Verde em Roma. Caso houver esta iniciativa, apoiamos e associaremos à sua realização.

Que novos serviços serão implementados na secção consular de modo a facilitar e beneficiar a vida dos emigrantes em Itália?

- Vai haver uma melhoria considerável na secção consular da embaixada de Cabo Verde em Roma. Vamos trabalhar para que os serviços consulares tenham acesso direto à base de dados em Cabo Verde, podendo emitir todos os documentos com celeridade e é uma aposta que esperamos ser uma realidade a curto prazo. Isso será possível com a conexão que temos com a embaixada de Cabo Verde em Portugal, que centraliza toda melhoria política de serviços às comunidades e é uma prática que vamos limar, adaptando às aplicações devidas nos serviços consulares da Roma. Para isso, já recebemos um kit de telemóveis, importante para esta representação, com boa capacidade de trabalho, ajudando na emissão de documentos e penso que mais à frente passaremos a produzir muitos documentos onlines e encaminhá-los aos destinatários, por conseguinte evitar que as pessoas em outras cidades se deslocam a Roma. Há também, a possibilidade de forma regular deslocar uma pequena delegação para determinado sítio, para fazer aquilo que chamamos de consulado itinerante e praticar atos no local. Portanto, esta é uma ideia que procurarei executar nesta embaixada a bem da nossa comunidade.

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