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Embaixadora nomeada de Moscovo na Praia é ícone da ’primavera russa’ 19 Outubro 2021

A nomeação da nova embaixadora da Federação da Rússia em Cabo Verde está a captar a atenção do mundo e a suscitar análises controversas. Natalia Poklonskaia, o símbolo da anexação da Crimeia em março de 2014, tornou-se nos anos seguintes uma "deputada incómoda em Moscovo" e a sua nomeação está a ser vista como reflexo disso mesmo.

Embaixadora nomeada de Moscovo na Praia é ícone da ’primavera russa’

Cabo Verde exílio dourado? Esta é a perspetiva por exemplo do diário francês Le Monde, na edição deste fim de semana, sobre a escolha de Putin para chefiar a embaixada na Praia. Natalia Poklonskaia, "cuja grande façanha foi ter alinhado com Moscovo no início da intervenção russa na península", quando era ainda uma "simples procuradora" nessa primavera ardente de 2014.

A sua defesa do extremismo ortodoxo nostálgico do tsarismo, patenteada na (foto), valeu-lhe em 2016 ser recompensada com o cargo de procuradora-geral da Crimeia e apresentada na lista das Legislativas. Vence e está desde então na Duma (parlamento russo) pela Rússia Unida, o partido de Putin.

A novel embaixadora extraordinária e plenipotenciária da Federação da Rússia — cuja nomeação o presidente russo confirmou na quarta-feira, 13 — é aos 41 anos uma das raras vedetas senão a única na política do Kremlin, segundo os media da referência.

Talibã do czarismo

A antipática designação é da rádio alemã Deutsche Welle, a deplorar a Natalia Poklonskaia os seus posicionamentos ultranacionalistas, monárquicos e religiosos. Entre os seus registos mais polémicos estão que ela jura ter visto chorar o busto do "czar mártir" Nicolau II. Outro: ela defende a proibição de filmes que "ofendam" a nostalgia czarista.

Cabo Verde exílio dourado? Ou será que a Federação da Rússia — que crismou de "ilegal" a extradição para os EUA do "diplomata venezuelano" — tem uma atuação coerente de longo alcance à luz de uma neo-guerra fria? (Reações externas ao caso Alex Saab: Rússia tacha de «motivação política» o caso da ilegal extradição para os EUA do diplomata venezuelano Alex Saab, 10.set.021).

Fontes: Le Monde/RTBF/DW. Fotos (AFP): Em 2016, procuradora-geral da Crimeia, Natalia Vladimirovna Poklonskaia exibe um retrato do último monarca russo, o czar Nicolau II (executado em 1918 pelos Sovietes e santificado como São Nicolau, o Portador da Paixão, pela Igreja Ortodoxa Russa).

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